O socorro em Portugal
Procurei deixar assentar alguma poeira provocada pelo lamentável episódio protagonizado pelo CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes) e os bombeiros de Favaios, sobretudo estes, no concelho de Alijó. Eu digo alguma poeira, porque enquanto não mudar a política relativamente ao socorro em Portugal que permite que o INEM seja o filho amado, super protegido, vivendo com abastança e os bombeiros sejam os enteados maltratados, vivendo na penúria, a poeira não há-de assentar nunca. E se não anda muito mais poeira pelo ar é só porque os bombeiros portugueses são demasiado humildes, não são conflituosos e agem sempre não só com os conhecimentos que conseguem, muitas vezes com prejuízo de férias, de salários, porque não lhes dão outras oportunidades, mas também com o coração, com a abnegação que outros não têm e faz suprir muitas carências, muitas debilidades.
Não é a primeira vez que me debruço sobre a problemática do socorro, nomeadamente do INEM. Considero o INEM uma instituição importantíssima no nosso sistema de socorro. Tanto o considero que entendo que urge alargar a sua acção, nomeadamente dotando todos os corpos de bombeiros de ambulâncias devidamente apetrechadas e de pessoal com formação adequada para as tripular 24 horas por dia, sete dias por semana. O que O INEM não pode, não deve, é constantemente fazer com que os bombeiros sejam os bodes expiatórios das suas falhas, como estes não devem fazer aqueles expiar as suas. Ainda no campo da importância do INEM, há que alargar a rede de VMER’s – viaturas médicas de emergência rápida. Aqueles que vivem longe dos grandes centros, são certamente aqueles que mais necessitam dos seus serviços, porque, em muitos casos, esperar por uma ambulância, mesmo que seja ultra rápida, e ser transportado a uma urgência, demora tempo mais do que suficiente para se morrer, se for caso disso.
Relativamente ao diálogo verificado entre uma operadora do CODU e um bombeiro de Favaios, no concelho de Alijó, ninguém ficou bem na fotografia. Em primeiro lugar fiquei com uma enorme repulsa, porque logo de repente a comunicação social teve acesso à gravação. Com que intenção? Denegrir os bombeiros? Quem autorizou? Bom, mas até nem terá sido mau de todo, se isso fizer com que se proceda a um debate sério sobre o socorro em Portugal, sem que ninguém ignore que, apesar de todas as suas debilidades, os bombeiros portugueses continuam a ser a maior força nesse domínio, com muito menos custos.
Voltando à conversa dos operadores, foi visível a falta de preparação do bombeiro de Favaios para desempenhar a missão de que estava investido naquele momento. Este, felizmente, não é o retrato do país, mas não podemos meter a cabeça na areia e temos de aceitar que ainda há alguns casos, felizmente poucos, do género. A operadora do CODU também foi muito pouco eficiente, pois espraiou-se em perguntas e comentários desadequados, em prejuízo da emergência, quer com os que apelaram o serviço, quer com os bombeiros. Um correcto atendimento numa central de socorro, seja no CODU, seja nos bombeiros, é meio caminho andado para o seu êxito e nem sempre há esse cuidado, nomeadamente nos corpos de bombeiros, temos de reconhecê-lo.
Poderia tecer muitas mais considerações sobre o assunto, mas vou-me ficar apenas por mais uma. Ando, eu e muitas outras pessoas, a dizer há vários anos que muitos destes problemas não aconteceriam se o CODU estivesse a funcionar onde deveria, isto é, nos CDOS - Centros Distritais de Operações de Socorro, - onde está gente que conhece perfeitamente a região, que tem os contactos dos elementos dos comandos dos corpos de bombeiros, que facilmente resolveriam questões como a de Favaios e de muitos outro lugares. Bastaria para tanto que o operador do CODU passasse a chamada para o operador do lado ou pedisse uma rápida informação. O socorro seria mais rápido, logo mais eficiente, e os bombeiros deixariam de andar por aí de Seca para Meca, à procura dos doentes ou sinistrados, devido a informações incorrectas por parte do CODU, e que os leva, não poucas vezes a serem agredidos verbal e até fisicamente. Para além da eficácia ser maior, que no fundo é o mais importante, o governo que se farta de retirar verbas, em alguns casos, onde não seria de retirar, pela obsessão do défice, pouparia milhões. Parece, infelizmente, que ninguém tem coragem de mexer com a estrutura do INEM, vá-se lá saber porquê.
Oxalá, este e outros casos que infelizmente vão acontecendo sirvam para melhorar alguma coisa.
Não é a primeira vez que me debruço sobre a problemática do socorro, nomeadamente do INEM. Considero o INEM uma instituição importantíssima no nosso sistema de socorro. Tanto o considero que entendo que urge alargar a sua acção, nomeadamente dotando todos os corpos de bombeiros de ambulâncias devidamente apetrechadas e de pessoal com formação adequada para as tripular 24 horas por dia, sete dias por semana. O que O INEM não pode, não deve, é constantemente fazer com que os bombeiros sejam os bodes expiatórios das suas falhas, como estes não devem fazer aqueles expiar as suas. Ainda no campo da importância do INEM, há que alargar a rede de VMER’s – viaturas médicas de emergência rápida. Aqueles que vivem longe dos grandes centros, são certamente aqueles que mais necessitam dos seus serviços, porque, em muitos casos, esperar por uma ambulância, mesmo que seja ultra rápida, e ser transportado a uma urgência, demora tempo mais do que suficiente para se morrer, se for caso disso.
Relativamente ao diálogo verificado entre uma operadora do CODU e um bombeiro de Favaios, no concelho de Alijó, ninguém ficou bem na fotografia. Em primeiro lugar fiquei com uma enorme repulsa, porque logo de repente a comunicação social teve acesso à gravação. Com que intenção? Denegrir os bombeiros? Quem autorizou? Bom, mas até nem terá sido mau de todo, se isso fizer com que se proceda a um debate sério sobre o socorro em Portugal, sem que ninguém ignore que, apesar de todas as suas debilidades, os bombeiros portugueses continuam a ser a maior força nesse domínio, com muito menos custos.
Voltando à conversa dos operadores, foi visível a falta de preparação do bombeiro de Favaios para desempenhar a missão de que estava investido naquele momento. Este, felizmente, não é o retrato do país, mas não podemos meter a cabeça na areia e temos de aceitar que ainda há alguns casos, felizmente poucos, do género. A operadora do CODU também foi muito pouco eficiente, pois espraiou-se em perguntas e comentários desadequados, em prejuízo da emergência, quer com os que apelaram o serviço, quer com os bombeiros. Um correcto atendimento numa central de socorro, seja no CODU, seja nos bombeiros, é meio caminho andado para o seu êxito e nem sempre há esse cuidado, nomeadamente nos corpos de bombeiros, temos de reconhecê-lo.
Poderia tecer muitas mais considerações sobre o assunto, mas vou-me ficar apenas por mais uma. Ando, eu e muitas outras pessoas, a dizer há vários anos que muitos destes problemas não aconteceriam se o CODU estivesse a funcionar onde deveria, isto é, nos CDOS - Centros Distritais de Operações de Socorro, - onde está gente que conhece perfeitamente a região, que tem os contactos dos elementos dos comandos dos corpos de bombeiros, que facilmente resolveriam questões como a de Favaios e de muitos outro lugares. Bastaria para tanto que o operador do CODU passasse a chamada para o operador do lado ou pedisse uma rápida informação. O socorro seria mais rápido, logo mais eficiente, e os bombeiros deixariam de andar por aí de Seca para Meca, à procura dos doentes ou sinistrados, devido a informações incorrectas por parte do CODU, e que os leva, não poucas vezes a serem agredidos verbal e até fisicamente. Para além da eficácia ser maior, que no fundo é o mais importante, o governo que se farta de retirar verbas, em alguns casos, onde não seria de retirar, pela obsessão do défice, pouparia milhões. Parece, infelizmente, que ninguém tem coragem de mexer com a estrutura do INEM, vá-se lá saber porquê.
Oxalá, este e outros casos que infelizmente vão acontecendo sirvam para melhorar alguma coisa.