Pobreza
Discutir o fenómeno da pobreza poderia ser uma tarefa interessante, em qualquer programa televisivo ou radiofónico, se tivesse a participação efectiva daqueles que conhecem verdadeiramente a realidade do país, o que quase nunca acontece, relativamente a este e a muitos outros fenómenos. São discutidos os temas por políticos, muitos deles afastadíssimos do país real e quase sempre com uns contrariando outros, consoante defendem as cores partidárias que sustentam o governo ou as da oposição e, normalmente, por outras pessoas que têm o conhecimento que lhes chega aos gabinetes, tantas vezes deturpado ou analisado com ligeireza. Isto verifica-se facilmente. Todos nós sabemos, cada um de nós sabe, que há por aí muita gente que integra, provavelmente, o rol dos considerados pobres ou no limiar da pobreza, que só o são de espírito ou por malandrice. Falemos no Rendimento Social de Inserção, vulgo Rendimento Mínimo. Qual de nós não conhece casos escandalosos de gente que está a auferir tal benefício ilegitimamente, porque não quer trabalhar? Todos os portugueses sabem disso. Basta estar atento aos desabafos que se ouvem nos cafés, nos centros comerciais, nas repartições públicas, nos transportes, em que dizem coisas como esta: “andamos nós aqui a sofrer com a carestia de vida, com o aumento de impostos, para dar o rendimento mínimo a malandros”. E lá vão desfiando casos conhecidos de gente que não trabalha, mas toma o pequeno-almoço nas pastelarias, passeia de automóvel, não tem preocupações de chegar a horas ao trabalho, simplesmente porque lhe pagam… para não trabalhar. Esta é a verdadeira realidade do país. Muitos destes não poderiam, não deveriam estar no rol dos pobres. Outros sim, que se esfalfam a trabalhar para levarem uma vida digna, para educarem os filhos e o salário não chega ao fim do mês. Não são, de um modo geral, os que recebem o Rendimento de Inserção que tomam medidas drásticas, como tentativas de suicídio e outras, mas muitos dos que sempre se “mataram” a trabalhar e caíram no desemprego ou os negócios ou empresas começaram a correr mal e não recebem o apoio de ninguém.
A filosofia que presidiu à criação do Rendimento de Inserção foi óptima e há muita gente, mais do que aquela que seria desejável, para quem se justifica e nem sequer tenho dúvidas que se justificaria para muitos outros, mas o que era necessário era uma avaliação séria de todos os candidatos a tal subsídio e depois fiscalização igualmente séria. Todos nós sabemos que tudo o que seja não conceder benefícios ou tirá-los faz perder votos e então as autarquias, algumas autarquias, provavelmente a maioria, que creio terem uma palavra a dizer em tal matéria, facilitam a vida, porque cada família que o venha a receber representa uma grande possibilidade de obtenção de uma série de votos. Não proporcionar a sua concessão ou contribuir para que seja retirado tal benefício, pelo contrário, representa uns votos a menos. Como a sobrevivência dos políticos depende dos votos, sabe-se o que acontece.
Por outro lado, também me parece, até por casos concretos que conheço, que algumas assistentes sociais desempenham o seu papel, nesta matéria, com alguma ligeireza ou mesmo pouca competência.
Por seu lado, o poder central também não está interessado em mexer muito, exactamente pelos votos, tal como acontece com a oposição, sobretudo aquela que se afirma como alternativa.
Uma coisa é certa, existe pobreza e urge encontrar formas de a reduzir, já que só por utopia, alguém acreditaria que se poderia eliminar, começando por não permitir que aumentem as riquezas e o número de ricos à custa dos pobres. Mas, repito, é necessário sinalizar bem quem é pobre e quem apenas não quer trabalhar e engrossa os números do desemprego. Ando há meses à espera de um carpinteiro que nunca mais chega; ando à espera de um orçamento de dois serralheiros há três ou quatro anos; um amigo meu, empreiteiro, tem-se visto aflito para arranjar 30 trabalhadores, no entanto vêem-se alguns com bom “cabedal” a coçar as calças pelas cadeiras dos cafés e das esplanadas. Para que a situação melhore, é preciso meter este país na ordem, começando pelos políticos, se possível, enviando a grande maioria para a “prateleira”.
A filosofia que presidiu à criação do Rendimento de Inserção foi óptima e há muita gente, mais do que aquela que seria desejável, para quem se justifica e nem sequer tenho dúvidas que se justificaria para muitos outros, mas o que era necessário era uma avaliação séria de todos os candidatos a tal subsídio e depois fiscalização igualmente séria. Todos nós sabemos que tudo o que seja não conceder benefícios ou tirá-los faz perder votos e então as autarquias, algumas autarquias, provavelmente a maioria, que creio terem uma palavra a dizer em tal matéria, facilitam a vida, porque cada família que o venha a receber representa uma grande possibilidade de obtenção de uma série de votos. Não proporcionar a sua concessão ou contribuir para que seja retirado tal benefício, pelo contrário, representa uns votos a menos. Como a sobrevivência dos políticos depende dos votos, sabe-se o que acontece.
Por outro lado, também me parece, até por casos concretos que conheço, que algumas assistentes sociais desempenham o seu papel, nesta matéria, com alguma ligeireza ou mesmo pouca competência.
Por seu lado, o poder central também não está interessado em mexer muito, exactamente pelos votos, tal como acontece com a oposição, sobretudo aquela que se afirma como alternativa.
Uma coisa é certa, existe pobreza e urge encontrar formas de a reduzir, já que só por utopia, alguém acreditaria que se poderia eliminar, começando por não permitir que aumentem as riquezas e o número de ricos à custa dos pobres. Mas, repito, é necessário sinalizar bem quem é pobre e quem apenas não quer trabalhar e engrossa os números do desemprego. Ando há meses à espera de um carpinteiro que nunca mais chega; ando à espera de um orçamento de dois serralheiros há três ou quatro anos; um amigo meu, empreiteiro, tem-se visto aflito para arranjar 30 trabalhadores, no entanto vêem-se alguns com bom “cabedal” a coçar as calças pelas cadeiras dos cafés e das esplanadas. Para que a situação melhore, é preciso meter este país na ordem, começando pelos políticos, se possível, enviando a grande maioria para a “prateleira”.