Ganhar com o mal dos outros
Não é que ganhemos o que quer que seja com o mal dos outros. O mal deles não remediará os nossos. Todavia, não estaríamos a ser sinceros se disséssemos que o mal alheio não tem, inúmeras vezes, um efeito benéfico na nossa mente. Eu falo no plural, porque imagino que quase todos reagiremos mais ou menos da mesma forma. Como assim? – Questionará você. O meu raciocínio é o seguinte: De uma maneira geral, nós portugueses somos dados um pouco ao pessimismo, desvalorizamos o que é nosso, valorizando tudo o que é estranho; aqui tudo é mau, no estrangeiro tudo é bom. Eu mesmo me dou conta que, de vez em quando, partilho desse sentimento colectivo, muito luso. Por exemplo, é comum ouvir-se dizer que a justiça portuguesa está num caos, que não funciona, que é tardia, o que no fundo significa injustiça, etc., etc. Poderá haver algum excesso nestas afirmações, mas não estaremos longe da verdade. Só que, como verá adiante, isso não é um mal genuinamente português. Poderíamos falar aqui de um sem número de temas, que o juízo era idêntico. Estando atentos ao que a comunicação social expande, verificamos que noutros países, alguns ditos e tidos por mais civilizados, mais desenvolvidos, em todos os capítulos, do que nós, acontecem coisas que não seriam de admitir, exactamente como acontecem em Portugal. Então, como é que nós, eventualmente, recolheremos algum benefício disso? Concluímos que afinal outros povos cometem os mesmos erros, têm as mesmas dificuldades, as mesmas deficiências que nós, fazendo com que o nosso pessimismo diminua e a nossa auto-estima se eleve. Não é que nos devamos comprazer com o mal dos outros, antes pelo contrário, mas como praticamente quase toda a nossa actividade mental se desenvolve em termos comparativos, esse mal acaba por ser um elixir para as nossas frustrações.
Eu falei há pouco na justiça. Pois foi exactamente a justiça que me levou a esta reflexão, neste caso, a justiça espanhola. Todos sabemos o que aconteceu à pequena espanhola Mari Luz, alegadamente raptada, violada e morta por outro espanhol, Santiago Garcia. Preso, há-de ser presente à justiça. Que acontecerá? O mesmo que já aconteceu? Quem sabe. É que, se verifica agora, por um erro judicial, esse homem deveria estar preso por outros crimes hediondos cometidos. Esteve em liberdade, completamente à-vontade, a ponto de cometer mais um outro crime e, sabe-se lá se não mais. Significa isto que se o homem estivesse onde deveria estar, a pequena Mari Luz não teria sido sacrificada às mãos desse monstro. Deve ser extremamente difícil, a uns pais, digerir tamanha tragédia perpetrada sobre uma filha ainda criança. Mas como deve criar uma raiva infinita saber que aqueles que têm por dever proteger-nos, fazer cumprir a justiça, são também, embora indirectamente, actores desse crime hediondo. O juiz responsável, ou outros responsáveis, por tal negligência, incompetência ou seja lá o que for, teriam de ser condenados por tal facto. Lá como cá, os tribunais são órgãos de soberania, não sei se acontecerá algo. Provavelmente, digo eu, uma indemnização do governo espanhol, resolverá o problema e o juiz ou juízes continuarão a decidir, tantas vezes mal. Pode ser que me engane e haja uma punição exemplar, que poderia, inclusive, ter resultados benéficos no nosso país, já que temos o dom de copiar tudo, o mau, muito rapidamente e o bom, tardiamente.
Eu falei há pouco na justiça. Pois foi exactamente a justiça que me levou a esta reflexão, neste caso, a justiça espanhola. Todos sabemos o que aconteceu à pequena espanhola Mari Luz, alegadamente raptada, violada e morta por outro espanhol, Santiago Garcia. Preso, há-de ser presente à justiça. Que acontecerá? O mesmo que já aconteceu? Quem sabe. É que, se verifica agora, por um erro judicial, esse homem deveria estar preso por outros crimes hediondos cometidos. Esteve em liberdade, completamente à-vontade, a ponto de cometer mais um outro crime e, sabe-se lá se não mais. Significa isto que se o homem estivesse onde deveria estar, a pequena Mari Luz não teria sido sacrificada às mãos desse monstro. Deve ser extremamente difícil, a uns pais, digerir tamanha tragédia perpetrada sobre uma filha ainda criança. Mas como deve criar uma raiva infinita saber que aqueles que têm por dever proteger-nos, fazer cumprir a justiça, são também, embora indirectamente, actores desse crime hediondo. O juiz responsável, ou outros responsáveis, por tal negligência, incompetência ou seja lá o que for, teriam de ser condenados por tal facto. Lá como cá, os tribunais são órgãos de soberania, não sei se acontecerá algo. Provavelmente, digo eu, uma indemnização do governo espanhol, resolverá o problema e o juiz ou juízes continuarão a decidir, tantas vezes mal. Pode ser que me engane e haja uma punição exemplar, que poderia, inclusive, ter resultados benéficos no nosso país, já que temos o dom de copiar tudo, o mau, muito rapidamente e o bom, tardiamente.
Posted by in 16:08:10