Pontos de Vista…10
Nesta espécie de diálogo que, periodicamente, vou mantendo consigo, sim, espécie de diálogo, porque recebo o feedback de várias pessoas, que vão lendo ou ouvindo e respondendo solitariamente: “sim, é isso”; “é mesmo assim”; “ concordo”, etc. Claro que também imagino que tenha outras respostas do género: “não é nada disso”; estás enganado”, e outras expressões porventura menos simpáticas. De qualquer forma, já que estou a falar nisto, deixem-me aproveitar a oportunidade para agradecer igualmente a uns e a outros, aos que concordam sempre ou quase sempre comigo e aos que poucas vezes ou nunca concordam, porque uns e outros são importantes. Uns e outros me estimulam. Uns, porque ninguém é insensível às palavras gentis, benévolas talvez, sobretudo se temos a certeza de que não são hipócritas. Outros, porque a unanimidade de opiniões nos deve deixar, sempre, de pé atrás, e porque me sentiria frustrado se as minhas palavras não provocassem, nunca, alguma discordância. Quem normalmente busca, com as palavras, “agradar a gregos e troianos”, são os candidatos a lugares políticos, o que no meu caso pessoal está fora de questão. Mais importante do que conseguir unanimidade de opiniões é proporcionar alguma reflexão. Isso é que me move. Bom, mas ia eu a dizer e com esta deambulação me ia esquecendo, que pretendo, hoje, nesta tal espécie de diálogo, debruçar-me sobre três temas: os Jogos Olímpicos, O assalto à agencia bancária de Campolide, perpetrada por dois jovens e a sinistralidade rodoviária. Veremos se, como acontece frequentemente nas estradas portuguesas, não me perco e vou, por outras vias, estacionar noutras paragens. Vamos lá. Estão em curso os Jogos Olímpicos de Pequim, depois de um espectáculo grandioso, na abertura, em que, como alguém disse, o mundo parecia perfeito. Embora bonito, de prender os olhos e o espírito, tal espectáculo magoava-me. Sentia como que uma espécie de ferida dentro de mim. Não me conformava que o Mundo, como sempre, seja tão tolerante com os fortes e tão agressivo com os fracos. Só assim foi possível aceitar que a um país em que se não respeitam os direitos humanos de forma tão evidente, porque há outros que tidos como paradigma das mais amplas liberdades, também atentam contra tais direitos, embora de forma mais dissimulada, se haja permitido tal realização. Devo confessar que não resisti à revolta, certamente não exclusivamente contra a China, muito menos contra o povo chinês, mas contra todos quantos, nos mais diversos países do mundo, inclusive o nosso, atentam contra os direitos humanos e desliguei. Por isso e pela hipocrisia política, sobretudo daqueles que são responsáveis pelas grandes decisões mundiais, com a sua corte de lacaios e bobos atrás. Estava eu invadido por essa revolta, por essa indignação, quando dei por mim a interrogar-me se, de facto, quem tinha razão eram aqueles que, como eu, entendem – ou entendiam?, já nem sei bem – que o mais correcto, o que teria resultado mais positivo na procura de incentivar, ajudar os chineses na conquista da liberdade e garantia dos direitos humanos, seria a não realização dos Jogos Olímpicos de Pequim ou, pelo contrário, a efectivação de tal evento na capital chinesa, com o seu enorme mediatismo que iria permitir mostrar ao mundo a realidade do país, apesar das muitas restrições à movimentação de jornalistas e órgãos de comunicação social, contribuiria melhor para atingir tal desiderato. Como não tenho quaisquer preconceitos relativamente a fidelizar ou não as minhas ideias, não me repugnando nada mudá-las, quando entender que a minha inteligência, o meu raciocínio, o meu grau de conhecimentos me levaram a isso, não estando certo de qual teria sido a melhor resolução – a realização dos Jogos ou não – confesso a minha dúvida e vou observando quando e como posso, aguardando pelas medalhas lusas, na expectativa de que não voltemos aos tempos em que, no futebol, ganhávamos moralmente, já que as derrotas eram sempre da culpa de terceiros. A frase da nossa Telma Monteiro, que tem inegável valor, afirmando “lutei contra os árbitros” trouxe-me esses tempos e essas desculpas à memória.
Destes Jogos não posso deixar de registar aquele abraço entre duas atletas, uma georgiana e outra russa. Que belo exemplo para os responsáveis políticos dos seus países. Para isto também servem os Jogos Olímpicos.
O assalto a um banco em Campolide, Lisboa, perpetrado por dois jovens, ao que parece sem cadastro, mas que podem não ser tão inocentes assim, já que o aparecimento de dinheiro, objectos e a revelação de outros elementos com eles relacionados, pode ligá-los a outros crimes sem autores ainda identificados, seria apenas mais um assalto se não tivesse havido uma intervenção em tempo oportuno da polícia, que, não obstante os seus méritos, terá beneficiado do sangue frio dos funcionários que, intencionalmente, retardaram a abertura do cofre forte. Assalto com sequestro, com aparatoso cerco policial, forçosamente haveria de ficar, de imediato, fortemente mediatizado. O país assistiu praticamente em directo a todas as peripécias. Amarrou-se, tanto quanto pôde, principalmente aos canais de televisão. Não admira: eram vidas humanas - as dos reféns, inocentes – que ali estavam em jogo. E os portugueses – não sei se os outros povos também – têm uma apetência enorme para a observação de tudo quanto possa representar tragédia, que, felizmente, foi muito menor do que aquilo que poderia ter sido, embora maior do que o que era desejável. De qualquer forma, parece-me que a actuação da polícia não merece reparo, mesmo que nem tudo tenha saído perfeito e, a esse respeito, já foram tecidas as mais diversas loas. Aqueles que, à hora certa, sintonizavam o canal certo, a gosto ou contragosto, tiveram oportunidade de assistir, em directo, à resolução do problema que durava há mais de oito horas, em escassos segundos.
Sobre tal matéria apetece-me reflectir sobre o espectáculo que sempre se monta em semelhantes situações. A palavra “espectáculo” pode ser chocante, mas não se me oferece outra melhor, até porque não a utilizo com qualquer sentido depreciativo. Depois da tragédia de Entre-os-Rios que levou àquela mediatização de que todos nos recordamos, com excessos, defeitos, mas também com algumas virtudes, várias foram as entidades e personalidades que se debruçaram sobre a cobertura mediática de eventos que envolvam tragédias ou acções musculadas de forças de segurança ou socorro. Temos de convir que alguns comportamentos mudaram para melhor. Todavia, parece-me que há necessidade de discutir o problema com mais profundidade. Sem atentar contra a liberdade de comunicar, de informar, mas preservando o sigilo, a segurança de pessoas e das operações que têm de ser realizadas, interrogo-me se, no caso da acção levada a cabo para neutralizar os assaltantes e sequestradores do BES e libertação dos reféns, o perímetro de segurança não deveria ter sido mais alargado, colocando mais à distância mirones e órgãos de comunicação social. Por aquilo que vi e ouvi, parece-me, - digo, parece-me, - que poderiam sair dali informações importantes que, eventualmente, prejudicassem o sucesso da operação. É apenas um ponto de vista.
Quando tudo parecia fazer crer que o comportamento dos portugueses, ao volante, tinha melhorado, eis que somos confrontados com uma série de mortos na estrada, na maioria dos casos, por força de conduções agressivas. Digamos que a “guerra” voltou à estrada. É lamentável. Quando já uma simples condução normal é perigosa, obrigando todos os condutores conscientes a uma condução defensiva, eis que surgem condutores irresponsáveis, autênticos criminosos, fazendo dos seus carros autênticas armas de morte de pessoas inocentes.
Realmente, este mês de Agosto, que ainda nem ao meio chegou, vai trágico, mas por aquilo que se vai vendo, nem admira. Ainda no último domingo fiz uma curta viagem de cerca de 100 quilómetros, digamos, um mero passeio dominical com minha mulher, aqui pelas estradas da região e tivemos oportunidade de assistir aquilo que, felizmente, não observava algum tempo: praticamente todos os carros que comigo se cruzavam vinham em altíssimas velocidades, obrigando-me, algumas vezes, a encostar perigosamente à berma da estrada. Aqueles que se aproximavam da minha viatura, por detrás, muitos deles, ultrapassaram-me em sítios, onde só por sorte não provocaram desastres, apesar de eu sempre facilitar as ultrapassagens a quem o pretende fazer, encostando-me o mais que posso e baixando a velocidade. A conduzir assim, se a condução agressiva, irresponsável fizesse parte dos Jogos Olímpicos, éramos, seguramente, candidatos a uma medalha de ouro.
Quando se sentar ao volante do seu carro, lembre-se que o deve utilizar como algo que lhe oferece melhor qualidade de vida, que lhe deve proporcionar prazer e não como se estivesse com uma metralhadora na mão em campo de guerra.
Destes Jogos não posso deixar de registar aquele abraço entre duas atletas, uma georgiana e outra russa. Que belo exemplo para os responsáveis políticos dos seus países. Para isto também servem os Jogos Olímpicos.
O assalto a um banco em Campolide, Lisboa, perpetrado por dois jovens, ao que parece sem cadastro, mas que podem não ser tão inocentes assim, já que o aparecimento de dinheiro, objectos e a revelação de outros elementos com eles relacionados, pode ligá-los a outros crimes sem autores ainda identificados, seria apenas mais um assalto se não tivesse havido uma intervenção em tempo oportuno da polícia, que, não obstante os seus méritos, terá beneficiado do sangue frio dos funcionários que, intencionalmente, retardaram a abertura do cofre forte. Assalto com sequestro, com aparatoso cerco policial, forçosamente haveria de ficar, de imediato, fortemente mediatizado. O país assistiu praticamente em directo a todas as peripécias. Amarrou-se, tanto quanto pôde, principalmente aos canais de televisão. Não admira: eram vidas humanas - as dos reféns, inocentes – que ali estavam em jogo. E os portugueses – não sei se os outros povos também – têm uma apetência enorme para a observação de tudo quanto possa representar tragédia, que, felizmente, foi muito menor do que aquilo que poderia ter sido, embora maior do que o que era desejável. De qualquer forma, parece-me que a actuação da polícia não merece reparo, mesmo que nem tudo tenha saído perfeito e, a esse respeito, já foram tecidas as mais diversas loas. Aqueles que, à hora certa, sintonizavam o canal certo, a gosto ou contragosto, tiveram oportunidade de assistir, em directo, à resolução do problema que durava há mais de oito horas, em escassos segundos.
Sobre tal matéria apetece-me reflectir sobre o espectáculo que sempre se monta em semelhantes situações. A palavra “espectáculo” pode ser chocante, mas não se me oferece outra melhor, até porque não a utilizo com qualquer sentido depreciativo. Depois da tragédia de Entre-os-Rios que levou àquela mediatização de que todos nos recordamos, com excessos, defeitos, mas também com algumas virtudes, várias foram as entidades e personalidades que se debruçaram sobre a cobertura mediática de eventos que envolvam tragédias ou acções musculadas de forças de segurança ou socorro. Temos de convir que alguns comportamentos mudaram para melhor. Todavia, parece-me que há necessidade de discutir o problema com mais profundidade. Sem atentar contra a liberdade de comunicar, de informar, mas preservando o sigilo, a segurança de pessoas e das operações que têm de ser realizadas, interrogo-me se, no caso da acção levada a cabo para neutralizar os assaltantes e sequestradores do BES e libertação dos reféns, o perímetro de segurança não deveria ter sido mais alargado, colocando mais à distância mirones e órgãos de comunicação social. Por aquilo que vi e ouvi, parece-me, - digo, parece-me, - que poderiam sair dali informações importantes que, eventualmente, prejudicassem o sucesso da operação. É apenas um ponto de vista.
Quando tudo parecia fazer crer que o comportamento dos portugueses, ao volante, tinha melhorado, eis que somos confrontados com uma série de mortos na estrada, na maioria dos casos, por força de conduções agressivas. Digamos que a “guerra” voltou à estrada. É lamentável. Quando já uma simples condução normal é perigosa, obrigando todos os condutores conscientes a uma condução defensiva, eis que surgem condutores irresponsáveis, autênticos criminosos, fazendo dos seus carros autênticas armas de morte de pessoas inocentes.
Realmente, este mês de Agosto, que ainda nem ao meio chegou, vai trágico, mas por aquilo que se vai vendo, nem admira. Ainda no último domingo fiz uma curta viagem de cerca de 100 quilómetros, digamos, um mero passeio dominical com minha mulher, aqui pelas estradas da região e tivemos oportunidade de assistir aquilo que, felizmente, não observava algum tempo: praticamente todos os carros que comigo se cruzavam vinham em altíssimas velocidades, obrigando-me, algumas vezes, a encostar perigosamente à berma da estrada. Aqueles que se aproximavam da minha viatura, por detrás, muitos deles, ultrapassaram-me em sítios, onde só por sorte não provocaram desastres, apesar de eu sempre facilitar as ultrapassagens a quem o pretende fazer, encostando-me o mais que posso e baixando a velocidade. A conduzir assim, se a condução agressiva, irresponsável fizesse parte dos Jogos Olímpicos, éramos, seguramente, candidatos a uma medalha de ouro.
Quando se sentar ao volante do seu carro, lembre-se que o deve utilizar como algo que lhe oferece melhor qualidade de vida, que lhe deve proporcionar prazer e não como se estivesse com uma metralhadora na mão em campo de guerra.
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