Pontos de Vista…27
Ouvir alguns professores tão reles, tão incompetentes, com comportamentos tão desajustados, que para além de outros males que fazem aos alunos, são péssimos exemplos nas regras de educação, civismo, convivência, cidadania, daria vontade de rir se não se tratasse de assunto tão sério como esse que tem a ver com o futuro das nossas crianças, dos nossos jovens, no fundo com o futuro de todos nós, o futuro do país, porque, seja qual for a formação que tiverem, eles serão o futuro: bom ou mau, consoante a acção dos pais, da escola. Porque assim é, vamos assistindo a esta “guerra nas escolas”, muito inspirada, para não utilizar outra expressão mais forte, no exemplo dos professores, em que pré-adolescentes se comportam desordeiramente, sem educação nem respeito por pessoas ou valores, ignorando a democracia. Alguém os ensinou, ao invés de outras coisas, a fechar escolas a cadeado, impedindo dessa e por outras formas, colegas de entrar e fazerem a sua vida normal, ignorando que uma das regras básicas da democracia é que a nossa liberdade deixa de existir quando atentamos contra a liberdade dos outros. E vêm essas “crianças” munidas de ovos e fruta para atirarem a membros do governo e forças de segurança. Ainda que com razão para se manifestarem, é dessa forma que se luta? Estão à espera de quê? Que aplaudam a sua forma de luta? Ou estão à espera de atitudes ditatoriais por parte de quem tem obrigação de garantir a ordem pública? São situações similares que levam muitas vezes à queda das democracias. Uma das coisas boas das ditas democracias é o direito à greve, à manifestação, à indignação, mas para isso não é necessário ser grosseiro, caluniador, agressivo, selvagem. Sinceramente, gostaria de ver o comportamento de alguns desses manifestantes mais agressivos no tempo da ditadura. Muito provavelmente eram totalmente subservientes, não contestavam a mínima coisa, “metiam o rabo entre as pernas”. Sinto-me com legitimidade para dizer o que digo, porque, mesmo em ditadura, nunca deixei de dizer aquilo que entendia dizer, confrontei muitas vezes, educada mas vigorosamente os meus superiores, sofrendo algumas vezes as consequências do meu “atrevimento”, mas a consciência tranquila de que fizera o que deveria ter feito, a alegria que isso me proporcionara sempre superou os malefícios sofridos.
Os pais, mais do que quaisquer outros, têm sobejas razões para estarem extremamente preocupados e para desconfiarem mesmo se, nesta chamada luta dos professores, haverá muitos que se preocupem com os alunos e se não estarão mais interessados em que uma qualquer avaliação, seja ela qual for, lhes vá pôr a nu as debilidades que ostentam. A situação é altamente preocupante. Sei, todos sabemos, que há professores altamente competentes, empenhados, que fazem enormes sacrifícios para cumprirem com zelo e rigor a sua missão e que não têm receio de qualquer avaliação, até a desejam, porque é desconfortante ver a seu lado, colegas absentistas, incompetentes, “premiados” da mesma forma. Essa é também uma forma de injustiça e nenhuma é suportável. Neste terramoto insustentável de mentiras, de demonstrações inequívocas de má educação, poderiam salvar-se as forças políticas. Mas não. Há umas que existem apenas para ser sempre contra os desígnios de qualquer governo. Outras, mesmo perfilhando as mesmas ou idênticas concepções, pensando mais nos votos do que no interesse do país, sem vergonha, sem pudor, colocam-se em posições antagónicas ao poder, demagogicamente ao lado dos que protestam, alguns sem razão e muito mais do que aquilo que trabalham. Mas também que é que havemos nós de esperar de políticos que a uma sexta-feira, véspera de um fim-de-semana prolongado, o prolongam ainda mais, “borrifando-se” para as votações do Parlamento e vão de férias, “roubando” o nosso dinheiro. Digo “roubar” o nosso dinheiro sem qualquer pejo, porque o dinheiro que recebem é dos contribuintes e porque quem não cumpre, na sua função, seja ela qual for, por absentismo, por negligência, falta de empenho ou qualquer outra coisa, está a “roubar” o patrão. Se esses indivíduos auferissem o salário mínimo, o que alguns nem sequer esse merecem, provavelmente empenhar-se-iam mais até porque as possibilidades de gozar férias ou fins-de-semana alargados seria nula. Já agora, se souber diga-me, se não souber, reflicta nesta dupla questão: o que acontece a um qualquer trabalhador de uma empresa que falte injustificadamente e o que acontece a um deputado que falte injustificadamente? Reflicta nisso, não se esquecendo de ter em conta as responsabilidades de cada um. Provavelmente acontecer-lhe-á mais ou menos o que me acontece a mim: de tamanha habituação já não estranho a injustiça, a falta de vergonha, mas fico revoltado e sem a mínima vontade de ouvir semelhante tipo de gente. Esta mal aparentada democracia, já de 34 anos, ainda bem precisa de uns bons passos para ser firme e autêntica. Se a escola não voltar a ser uma verdadeira instituição que, para além de ministrar os vários saberes, cultive os valores que são de todos e intemporais, a educação e a cidadania; se os professores, sem que se lhes coarcte os mais legítimos direitos ao protesto, à indignação, se esquecerem que o país em geral e os pais em particular esperam que eles sejam, para além de profissionais competentes, empenhados, educadores, exemplos a seguir pelos mais novos e não inspiradores de conflitos de más práticas, o país definhará e nem sei se tão pouco não acabaremos por sucumbir como nação. Pode parecer, e será, uma visão demasiado dramática do futuro se tudo continuar como até aqui, mas é este o meu ponto de vista que, como sempre, exprimo, sem quaisquer peias.
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Já aqui afirmei que nutro alguma simpatia pelo doutor Dias Loureiro que me vem do tempo em que ele desempenhava as funções de Ministro da Administração Interna. Foi o primeiro governante a reconhecer cabalmente o verdadeiro papel dos bombeiros voluntários e com eles dialogar abertamente. Aqueles que à época já tinham responsabilidades nos bombeiros, como era o meu caso, e que têm memória, independentemente das suas simpatias políticas, reconhecem-lhe esse mérito de contribuir para a melhoria de equipamento e de condições de trabalho dos bombeiros. Pode-se mesmo afirmar que os bombeiros foram uma coisa até Dias Loureiro e outra depois. Em face dessa minha simpatia, não gostaria de acreditar que ele tivesse as mãos sujas no caso BPN, todavia, não me considerando ingénuo, tenho imensa dificuldade em aceitar que Dias Loureiro, desempenhando as funções que desempenhou na SLN e outras empresas, ganhando o dinheiro que ganhou com muito maior rapidez do que qualquer simples mortal, se mostre de mãos totalmente límpidas, de consciência absolutamente tranquila, de angelical ingenuidade. Dias Loureiro não terá beneficiado, eventualmente, um tostão, de toda essa tramóia que se vai conhecendo do Banco Português de Negócios, mas é difícil suportar a ideia de que ele não terá pecado, pelo menos, por omissão, o que, dado o seu estatuto, já não é pouco. Porque entendo que, tenha o caso BPN o desenvolvimento que tiver, Dias Loureiro dificilmente sairá dele, aos olhos dos portugueses, absolutamente limpo, deveria demitir-se de Conselheiro de Estado. Cavaco Silva, não pode nem deve fazer nada, na situação actual. O seu ex-ministro não está acusado de nada, nem sequer se sabe se algum dia o será. Loureiro, ainda que se considere totalmente inocente, mas sabendo das especulações que, inevitavelmente, se fazem sobre si, é que poderia e deveria, segundo o meu ponto de vista, aliviar o Presidente da República desse incómodo que tal situação não deixa de lhe proporcionar.
A comunicação social de ontem afirmava que a banca lucrara, entre Janeiro e Junho, mais de mil milhões de euros, quase seis milhões por dia. Já o BPN apresentara significativos prejuízos. Dado o que se sabe, estranho seria se também apresentasse lucros.