Pontos de Vista…41
Tudo o que os “media” publicam, sobretudo de mais negativo, serve para que a oposição venha logo em bloco assacar culpas ao governo, sem sequer se preocupar que não poucas vezes o que vem a público é de duvidoso rigor. Isto verifica-se facilmente se compararmos atentamente os títulos dos jornais e os textos respectivos. Entre muitos outros exemplos que poderíamos apontar, veio a público, há dias, uma estatística criminal. Logo a oposição, sobretudo a de direita, veio a terreiro crucificar o governo, fazendo uma análise grosseira dos números, à medida das suas conveniências, continuando a bater na velha questão de mais e mais polícias, como se isso fosse a solução e esquecendo-se que já passaram pelo governo com muitos menos polícias e meios. Cheguei a dar boleia a uma patrulha da GNR para resolver um acidente rodoviário, porque a única viatura operacional que o Posto tinha estava envolvida numa outra operação. É minha convicção, que já aqui manifestei por mais do que uma vez, que o problema da criminalidade tem muito mais a ver com justiça do que com polícia. Não vou voltar a apresentar aqui a justificação para essa minha convicção, até porque mesmo relativamente à justiça as coisas terão melhorado, embora não tanto como eu entendo que seria desejável. Para desmontar esta apetência da oposição para atingir o governo, vou socorrer-me das palavras insuspeitas de Moita Flores, que até é Presidente da Câmara de Santarém, eleito pelo PSD, embora como independente. Porque acho da maior importância para que todos nós saibamos como se faz política baixa, vergonhosa, atrevo-me a citar alguns trechos da sua habitual crónica no Correio da Manhã. Diz ele: “…ao pico maior da criminalidade violenta, ocorrido entre Agosto e meados de Setembro, a reacção policial fez com que, em finais de Outubro, estivessem desvendados, resolvidos, e com indivíduos presentes a juiz, 87% dos crimes. Conclusão: ao aumento de criminalidade, o Estado desempenhou bem o seu papel, através das acções da PJ, PSP e GNR. Por outro lado, o crime violento não aumentou em todo o País.” Fim de citação. Perante isto, parece-me que o governo terá dado a resposta adequada, o que não significa que não desejemos, legitimamente, mais e melhor. Obviamente que sim. Mas, conhecendo-se estes dados, se não se esperaria que a oposição os aplaudisse, pelo menos que se calasse. Acontece, porém, uma outra coisa e que vale a pena referir. Atacado, imensas vezes, o governo, por fazer propaganda dos seus méritos, talvez aqui tenha pecado por defeito, isto é, não terá trazido à luz do dia tudo o que aconteceu no período a que se refere o relatório criminal. Moita Flores di-lo desta forma, e cito de novo: “ Era bom para o País, que os senhores ministros da Administração Interna e da Justiça informassem também quantos indivíduos foram presos, quantos foram constituídos arguidos, quantos ficaram em prisão preventiva. De certeza que acalmavam os urros da indignação.” Fim de citação. Era bom para si, para mim, para o País em geral, porque não terá sido por desconhecimento desses dados que a oposição reagiu da forma que o fez. Se fosse por isso, caber-lhe-ia agora uma palavra nesse sentido. Mas não a teremos. Recordo aquele provérbio indiano que diz: “Quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores que o silêncio”.
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Dar nomes a ruas, praças, avenidas, edifícios, etc. deve requerer o maior cuidado, deve pressupor a prática de feitos que a maioria das pessoas ligadas à área territorial ou às instituições, reconheçam como heróicos, distintos, de importância fundamental. Por isso entendo que os nomes atribuídos pelas autarquias devem merecer uma discussão ampla no seio da assembleia municipal ou de freguesia e um consenso mais alargado possível. Não me parece saudável que uma aprovação dessas seja feita apenas por uma força política ainda que maioritária e por isso legítima. Penso o mesmo relativamente às instituições que dão nome às suas sedes ou mesmo a espaços dessas mesmas sedes. As propostas devem ser bem fundamentadas, bem documentadas e objecto de ampla e transparente discussão em assembleia-geral e os nomes só perpetuados quando tenham merecido a aprovação de uma maioria bastante concludente dos associados existentes. Assembleias-gerais, com reduzido número de associados, embora de funcionamento legal e, por isso, cujas deliberações serão legítimas, aprovarem propostas desse género, não honram, antes pelo contrário, os nomes propostos. Daí que, embora por um lado seja admissível que as pessoas deveriam ser homenageadas em vida, avaliando os prós e os contras, entendo que tal discussão pode provocar melindres e, pelas mais diversas razões, muitos associados podem sentir constrangimentos em discutir propostas do género. Há ainda a hipótese de o homenageado vivo vir, por qualquer motivo, a desiludir, a frustrar, a provocar arrependimento naqueles que foram os autores da homenagem. Não sendo propriamente um admirador do presidente da SAD portista, Pinto da Costa, tiro-lhe o meu chapéu por não ter aceitado que dessem o seu nome, em vida, ao Estádio do Dragão. Se alguns o acham grande, o seu gesto tornou-o ainda muito maior e ajudou a perceber quanto pigmeus são alguns que têm o seu nome por aí escarrapachado em placas.
Vem este arrazoado a propósito do nome dado a duas ruas de duas cidades, perpetuando o nome de duas mulheres, cujo feito conhecido foi morrerem às mãos de maridos assassinos. Essas mulheres e muitas outras que sofrem de violência doméstica devem merecer-nos todo o respeito e todos devemos, à medida das nossas possibilidades, ajudar a combater tão hediondos crimes. Mas será que é dando o nome das vítimas a ruas ou avenidas que se contribuirá de alguma forma para resolver o problema?! Se formos por esse caminho, acabar-se-ão as dificuldades na toponímia das aldeias, vilas e cidades. É bom, no entanto, não esquecer os maridos envenenados e todos quantos neste país morrem vítimas de violência doméstica, nomeadamente pais às mãos de filhos e vice-versa. Com o máximo respeito, repito, por quem sofre, por quem é vítima de qualquer espécie de violência, penso que heroificar-se alguém que apenas teve a infelicidade de arranjar um mau companheiro, mas não se lhe conhecem méritos dignos de realce, não será o mais acertado. Melhor seria considerá-lo mártir e a Igreja tratar do resto.
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Contrariando aquilo que disse François Fénelon: “Foge do elogio, mas tenta merecê-lo”, quem presta atenção ao que lê e ouve por aí dá conta da distribuição de esquizofrénicos elogios, de hiperbólicos auto-elogios, sem que se consigam vislumbrar quaisquer merecimentos, num afã de se exibirem, prenunciando a indómita e presunçosa vontade de se arranjar um qualquer poleiro, ainda que ao nível do rés-do-chão, numa lista para as eleições que se avizinham. “Presunção e água benta, cada um toma a que quer.” Tenho de reconhecer que neste País onde reina a mediocridade, em que a obliquidade vence a verticalidade, o chico-espertismo vence a seriedade, o carneirismo vence a frontalidade, muitos conseguem os seus objectivos, adicionando-se a outros contributos para que se não acredite na política, nos políticos e, por este andar, no próprio homem.
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Todos sabemos que muitos reformados, e não só – obviamente excluem-se os que têm reformas milionárias – têm grandes dificuldades em pagar os remédios e alguns até já os pagam a prestações. Os remédios e muitas outras coisas. É uma verdade indesmentível. Só que pretender fazer crer que esse é um mal recente, criado pelo governo actual, é não só uma falsa questão como revelador de pouca seriedade da parte de quem faz tais afirmações. Sem esquecer que há milhares de reformas miseráveis, é bom não esquecer também que elas têm subido anualmente, exceptuando no tempo de Ferreira Leite e os remédios não terão subido na mesma proporção, antes pelo contrário, segundo a indústria farmacêutica. Significa isto, e ninguém o pode contestar, que muitos reformados têm de facto enormes dificuldades para pagar os remédios, mas não têm mais do que há 3, 4, 5, 6, 7, anos. O que não quer dizer que não se deva lutar por melhorar as reformas mais baixas e atribuir maiores comparticipações nos medicamentos. Que eles não estão bem, tal como muitos de nós, é uma verdade irrefutável, mas não deve empurrar a seringa para o rabo dos outros quem dela também precisa no seu.