Monday, June 29, 2009

Cavaco Silva e a misteriosa sondagem

     

Cavaco Silva não foi eleito com o meu voto. Todavia, sendo que é o Presidente de todos os portugueses é também o meu, a quem devo e pratico o respeito que a mais proeminente figura do Estado nos merece. Isso não implica, contudo, que esteja sempre de acordo com os seus actos. O desacordo nada tem a ver com o facto de não ter merecido o meu voto, nem tão pouco significa uma falta de respeito. Só os que não pensam, os subservientes, aqueles que não conseguem ver para além dos seus partidos ou das figuras com quem simpatizam, ou que lhes podem ser mais úteis, é que não manifestam discordâncias. Relativamente ao nosso Presidente da República e vindo-me à memória a expressão “não basta sê-lo, é preciso parecê-lo”, parece-me que; à semelhança de Sócrates, a quem se podem associar, nestes últimos dias, uma série de factos mal explicados ou, se quiser, de trapalhadas, não tem andado muito bem, pois, intencionalmente ou não, tem andado a dar a mão, a Manuela Ferreira Leite. Se não anda, de facto parece e, a escassos meses de eleições legislativas, não abona nada a favor de um Chefe de Estado, que não obstante a sua reconhecida ligação partidária, que não tem nada de mal, se quer absolutamente isento. Algumas suas afirmações e tomadas de posição dão a entender isso. Algumas dão-me um bocado que pensar, como aquela da sondagem que mostrava que a maioria dos portugueses desejava que as duas eleições se fizessem num só dia. Até acredito que essa fosse a vontade maioritária dos nossos compatriotas, mas não deixo de me confrontar com duas questões:

Primeira – é uma realidade que todos os partidos, todos os políticos se regem mais ou menos por sondagens, mas também é verdade que condenam sempre quem entendem que governa, que executa de acordo com as sondagens. Então o Presidente da República fala numa sondagem, antes de ouvir os partidos políticos e cujo resultado é favorável ao partido da sua simpatia e liderado por uma amiga pessoal?

Segunda – Que sondagem foi essa que ninguém conhece, que não foi publicada em nenhum órgão de comunicação social? Será que o Presidente da República também manda fazer sondagens para traçar a sua conduta?

Apesar da referida misteriosa sondagem, Cavaco Silva, decidiu, e bem, de acordo com a maioria dos partidos. Aqui teve uma actuação positiva. Mas afinal para que foi a sondagem?

Será apenas o parecer, mas creio que a contenção nas palavras e nos actos, que Cavaco Silva pede, algumas vezes com razão, também a deverá tomar para si.

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Mãos…às obras

     

De vez em quando paro, por escassos minutos, a observar o andamento das obras de requalificação do Largo da Feira, em Nespereira. À medida que as referidas obras vão avançando e dando a perceber qual será o resultado final, mais me repugna ver ali aquele mamarracho do coreto. Já o afirmei, e repito, uma obra que não está minimamente enquadrada no ambiente, de construção recente, com materiais que chocam com os que estão a ser utilizados e bem, que não evoca qualquer figura ou facto históricos, que não tem qualquer utilidade, actualmente, muito menos se espera que tenha no futuro, que rouba espaço à passagem de viaturas, ficar ali plantada, só não digo que é reveladora de mau gosto dos responsáveis, porque, sinceramente, eu acredito que eles também não gostam, mas é reveladora de uma coisa bem mais feia, em meu entender, que é a falta de coragem política para o derrubar. Praticamente todos os que encontro nas referidas observações, ou aqueles com quem falo sobre o assunto, são da mesma opinião, embora não me admire que alguns deles, na frente do Presidente da Câmara ou de quem o mandou construir, Armando Soares, digam outra coisa. A hipocrisia demasiado generalizada é coisa que me não surpreende. Derrubar o coreto era tão ofensivo para Armando Soares como ofensivo era ou foi, ele derrubar ou vender o que herdou dos pais, isto é, não há nem houve qualquer ofensa. É a lei da vida. Para se caminhar em frente, para se progredir, para se criarem melhores condições para vivermos, temos, muitas vezes, que derrubar casas, abater florestas, aplanar ou perfurar montanhas, mudar o curso dos rios, até dominar os mares.

Espero que um dia, que não esteja longe, ainda estes autarcas ou outros que lhes venham a suceder, sejam impregnados da coragem para fazer o que hoje deveria ser feito.

Ah, já agora, porque muito do que se faz ou deixa de fazer, tem a ver com a contabilização de votos, deixe-me dizer que andam por aí muitos políticos enganados com o valor dos seus caciques, das suas companhias, dos seus lambe-botas, dos seus interesseiros lacaios ou apoiantes. Alguns não valem mais do que o seu próprio voto. Bom, os políticos, entre outros atributos, também têm o direito de ser ingénuos, isto para não utilizar as palavras de Camilo Lourenço, que a propósito de Dias Loureiro, Oliveira e Costa e quejandos, propôs à “Porto Editora” que acrescentasse aos sinónimos de político que constam do seu dicionário, mais os seguintes: hominho, aldrabão, trafulha, safado, mentiroso, vigarista, desonesto, salafrário, sem verticalidade.

Bem, ainda há quem seja mais contundente do que eu.

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Parece-me que uma ligação de Cinfães à A4 deve procurar servir a maioria dos munícipes e ter em atenção para onde se dirige o maior fluxo de viaturas. Creio que isto é perfeitamente entendível por todos e que assim é que será justo. Ora a maioria dos munícipes vive nas freguesias que margeiam o Douro entre Cinfães e Souselo, caminhando para jusante, acrescentando-lhe Nespereira, Fornelos Moimenta e Travanca. O grande movimento de pessoas é em direcção à Área Metropolitana do Porto. Assim sendo, qualquer transposição para a margem direita do Douro para ligar à referida A4, que não tenha como limite máximo, para montante, a Barragem do Carrapatelo, é um tremendo erro e uma enorme injustiça para a maioria dos cinfanenses. Se alguém ousar pensar que há aqui algum “puxar a brasa para a sua sardinha” ou laivos de bairrismo excessivo, que apresente melhor justificação para qualquer outra hipótese.

É bom que os cinfanenses se comecem a debruçar desde já sobre o assunto e aproveitem a pré-campanha e campanha para as eleições legislativas e sobretudo as autárquicas para debater o problema com os candidatos, que vão andar por aí a distribuir panfletos, bugigangas, beijos e abraços, se eles tiverem coragem de ouvir, que actualmente eles gostam mais de monólogos.

Quanto à Estrada Nacional 225, não obstante ser verdade que ela serve de alternativa à 321 quando há neve, ela é utilizada principalmente e com grande tráfego diário em direcção ao Porto. Essa, sim, é uma perigosa vergonha, inadmissível no final da primeira década do século XXI. O Director de Estradas de Aveiro prometeu que colocaria barreiras de segurança no segundo semestre de 2008. Já lá vai o primeiro de 2009 e nem uma. Esta gente convive bem com a mentira e diga-se, de passagem, confia, também, na pacificidade do nosso povo, mas que se cuidem, porque talvez seja só até um dia que pode não estar longe.

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Monday, June 22, 2009

Cheira mal…cheira a político

     

Estamos em tempo de cheiros. É o cheiro a manjerico que se exibe em bancadas, às centenas, montadas ao longo de ruas e nas praças; é o cheiro a alho-porro que nos esfregaram no nariz; é o cheiro a caldo-verde e sardinha assada que exala das tasquinhas e vielas; é o cheiro adocicado das farturas; è o cheiro a piqueniques que se fazem pelos campos e pelas matas, muitas vezes desrespeitando a lei e, pior do que isso, criando situações de perigo; é o cheiro bafiento, que se esgueira pelas portas abertas de casas maltratadas, onde exuberantes e sapientes prostitutas fingiram orgasmos e fizeram suar as estopinhas a indivíduos desamparados ou que preferem a teatralização forasteira, a satisfação de todas as fantasias, em vez da rotina sexual caseira e a troco de duas ou três dezenas de euros, misturando o odor a suor e a excreções ao bafio, o que o torna morno; é o cheiro a perfumes e desodorizantes, muitos de mau gosto e mau cheiro, de pessoas que se misturam connosco nos arraiais, para disfarçar outros maus cheiros; é o cheiro a mar; é o cheiro a pinho e a eucalipto; é o cheiro a incêndios que os vão consumindo; é o cheiro a férias, sim, porque as férias também têm cheiro. Até costumamos dizer “já cheira a férias. É caso para cantar:

 

Mais um ano de canseiras

Está prestes a findar…

Cheira a praia, cheira a férias,

Já apetece mais cantar…

 

Boas férias, boas férias,

Boas férias com muito juízo,

Boas férias, boas férias,

Boas férias é o que é preciso!

 

Mais um ano de canseiras

Está prestes a findar…

Cheira a campo, cheira a férias,

Já apetece mais cantar…

 

Boas férias, boas férias,

Boas férias com muito juízo,

Boas férias, boas férias,

Boas férias é o que é preciso!

 

Nesta altura há ainda mais cheiros no ar. É o cheiro nauseabundo a néscios aspirantes a um lugar nos órgãos políticos, a um emprego em troca de fidelidade eleitoral. É o cheiro a clientelismo, a pedidos e promessas de lugares, a manobras obscuras, a ocupação de lugares, sem que se vislumbre transparência, ponta de democracia, a fazer-nos lembrar a Madeira, como nunca se vira antes, ou então eu teria andado mais distraído do que imaginara. É o cheiro dos caciques que trazem agarrado o bedum dos “rebanhos” que controlam. É o cheiro sórdido de pessoas que se estão borrifando para o altruísmo, a solidariedade, o desenvolvimento, o progresso, a amizade, a dedicação e só estão em determinadas instituições por mero interesse pessoal, para terem currículo que os possa projectar mais alto, para terem algum poder de forma que possam influenciar, que possam arranjar “tachos” para os amigos, ainda que de competência duvidosa, ou pelo menos nunca comprovada, que, mais cedo ou mais tarde os hão-de, mais com subserviência do que gratidão, que é coisa que anda extremamente arredia por estas bandas, ajudar a chegar onde pretendem, com o seu e aqueles votos, mesmo que atentando à democracia, que conseguirem levar consigo.

É o cheiro pestilencial dos atrás referidos aspirantes a um lugar nos órgãos políticos que se insinuam, que se colocam na montra, quais prostitutas holandesas, que fazem espalhar a notícia (normalmente falsa) de que foram convidados para isto ou para aquilo, na tentativa – que às vezes resulta, à falta de melhor, que não há muito por onde escolher, é certo – de que acabem mesmo por vir a ser contemplados com o almejado convite. E há ainda o cheiro daqueles que de “motu próprio” ou a pedido ou por sugestão lançam nomes para a praça pública.

Estamos infestados de cheiros e daqueles que, como os cães, vão cheirando o cu uns dos outros, até encontrarem o daquele que se lhe puser mais a jeito e, por isso, lhes puder ser mais útil.

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Se calhar, quando acuso uma parte substancial dos políticos de incompetência, mediocridade, falta de coragem, hipocrisia, falta de ética, dou a perceber que considero que todos esses atributos os terão adquirido enquanto políticos, o que não é de todo verdade. Certamente quase todos eles sempre foram assim, no desenvolvimento de qualquer outra actividade. O que a acção política lhes terá feito foi refiná-los. Talvez porque sempre foram assim como pessoas, é que chegaram à política, porque interessa aos líderes, a vários níveis, terem subordinados subservientes, medíocres, incompetentes, que não pensem.

Então no que se refere à hipocrisia é um ver se te avias. Cada um mais do que outro. Para não falar noutros casos, vejamos mais dois exemplos: O PSD quer eleições autárquicas e legislativas juntas, o que até é perfeitamente aceitável, em termos de custos e de disponibilidade de pessoas, não obstante algumas confusões em muitos eleitores, que, perante os boletins, ainda têm alguma inépcia, dificuldades de distinção entre uma e outra eleição, coisa que os políticos sabem, mas não gostam de dizer por não ser politicamente correcto. Como eu não estou integrado nessa espécie, tenho a vantagem de poder falar verdade ou, se preferir, não ser politicamente correcto. Só que a justificação que o PSD dá, é hipócrita, mentirosa. Ele não está preocupado com os custos – recorde o que fez, com todos os outros partidos, relativamente à lei do financiamento. O que o PSD quer, visto ter maioria nas autarquias, que provavelmente manterá, é tirar vantagem disso, precisamente pela tal inépcia que reconhece em muitos eleitores para lidar com mais do que uma lista. Os outros partidos querem o contrário, também na defesa dos seus interesses. Pondo de parte os interesses de qualquer um deles, se duas eleições contribuírem para que os seus resultados exprimam com maior verdade, com maior transparência, a vontade dos eleitores, então vale a pena fazê-las.

O Bloco de Esquerda, pela voz do seu líder, também já começa a dar indícios, através da sua linguagem – há uma linguagem para quem cheira a poder e outra para quem não cheira -  de lhe cheirar a poder. Já diz que vai apresentar um programa de governo, que quer ser primeiro-ministro, defende o TGV – o que eu também defendo. Os grandes empreendimentos, entregues, obviamente, a grandes empresas, não obstaculizam as pequenas e médias empresas, antes pelo contrário, fazem-nas movimentar, dão-lhes trabalho. Se é que eu não ando a ver mal, nomeadamente em grandes empreendimentos de construção civil, vêem-se inúmeras pequenas empresas envolvidas. Aliás há grandes empresas do ramo com muito poucos operários nos quadros para a dimensão das obras a que concorrem, socorrendo-se de outras. Estranho que ainda haja tanta gente, considerada importante, neste país, com mentalidade salazarenta. Por Salazar não querer investir é que ficamos décadas no atraso que muitos conhecem, embora alguns parece terem esquecido. Todos sabemos o que lucraram as gerações que vieram depois de Salazar: atraso em todos os domínios, miséria e até aquilo que muitos dizem que pelo menos havia respeito era medo. Não obstante isso, temos consciência de que algumas coisas desse tempo, hoje fariam um jeito enorme.

É uma pena que, quando somos chamados a votar, nem os políticos nos mereçam grande credibilidade e nem tão pouco os programas eleitorais, os seus projectos, porque, ainda que muito interessantes, normalmente não são cumpridos. Mesmo dentro do mau, pode ser que encontremos alguém ou algum projecto mais confiável. Deixar de votar é que não é solução.

“ A paixão de mandar é a mais terrível de todas as doenças do espírito humano” – Voltaire.

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Monday, June 15, 2009

Contorcionistas e outros artistas

     

Aos que fazem da política uma forma de sobrevivência ou de aumentar os seus réditos, – às vezes de forma pouco escrupulosa – de exibir as suas vaidades, os seus falsos méritos, escondendo a mediocridade, já lhes chamei “palhaços”, pela espécie de circo que eles próprios criam e onde são actores. Num circo não há apenas “palhaços”, artistas que, nesse contexto, me merecem o maior respeito. Entre vários outros artistas, encontramos também os contorcionistas. Contorcionistas que, curiosamente, se podem ver em acção na cena política. E que contorcionistas! Basta andarmos atentos ao que eles dizem ou fazem e ficamos sem dúvidas. Com a certeza, ainda, de que qualquer um deles não está só, nessa das contorções, mas antes, amplamente acompanhado por um cego e servil séquito. Podíamos referir inúmeros exemplos mais remotos ou mais recentes, de políticos de todos os quadrantes, sem excepção, exímios na arte do contorcionismo, mas recordemos apenas alguns dos mais badalados, para que qualquer um possa facilmente confirmar. Nesse circo em que se transformou a política, para além dos palhaços, dos contorcionistas, encontramos também gente que faz excelentes acrobacias e malabarismos, dá gigantescas cambalhotas e, em vez dos tradicionais animais, como os cavalos, os leões, os elefantes e os cãezinhos, nos aparece em forma de camaleões.

Cavaco Silva que, segundo o meu ponto de vista, anda a vetar muito, baseado nas suas convicções pessoais e políticas, o que não me parece totalmente legítimo, vetou, como muitos esperavam, a lei do financiamento dos partidos. Creio que eu já afirmara que considero a dita lei – aprovada por unanimidade, com a excepção de um único deputado que votou contra e um outro que se absteve – uma vergonha, uma ofensa e uma afronta à inteligência dos portugueses. Todavia, isso não me impede de questionar se o Presidente da República, sem lhe encontrar qualquer inconstitucionalidade, apenas obedecendo às suas convicções, a deveria vetar, independentemente das consequências que daí pudessem advir. Os parlamentares devem ter a noção exacta das suas responsabilidades e mostrar se estão no Parlamento ao serviço de Portugal e dos portugueses ou do seu próprio interesse. Fico inquieto quando chego à conclusão que um juiz proferiu uma sentença por convicção, porque pode não haver justiça. De igual modo me inquieta o veto de um Presidente da República por convicção porque aqui pode configurar se não algum défice, alguma imperfeição, na democracia.

A propósito do veto de Cavaco Silva à lei que alterava o  financiamento dos partidos – era aqui que eu queria chegar – dou-lhe o primeiro exemplo de contorcionismo. Exactamente Paulo Rangel, o ainda líder do grupo parlamentar do PSD, que votou unanimemente a referida lei. Anunciado o veto, Rangel apressou-se a vir a público afirmar – mas que falta de vergonha – que o PSD nunca pretendeu que as alterações introduzidas “fossem avante”, remetendo para a declaração de Manuela Ferreira Leite, que dizia estar o PSD disponível para rever o diploma se se considerasse que ele tinha “efeitos perversos”. Isto, meus amigos, revela uma falta de pudor sem limites. Então, essa análise não deve ser feita com absoluto rigor, não deve ser motivo de séria reflexão, aliás à semelhança do que se espera de qualquer votação desse órgão tão importante como é a Assembleia da República?! Cada uma destas atitudes é mais uma enorme machadada na credibilidade da política e dos políticos. Aliás, já não são virgens em atitudes do género, pois com o Estatuto dos Açores aconteceu o mesmo.

Quem também se deve ter contorcido todo – não se deve ter sentido nada bem – foi Cavaco Silva, ao homenagear Salgueiro Maia. Não lhe devia sair da memória e pesar bastante na consciência, a lembrança, que de certo o não abandonou, de não lhe ter concedido uma pensão, enquanto primeiro-ministro, ao contrário do que fizera com dois ex- PIDES. Se essas lembranças não matam, pelo menos devem moer bastante.

Continuando ainda com os contorcionistas, lembro alguns “actores” do PSD, que integram os pioneiros da ideia do aeroporto na OTA, do TGV, depois já era o aeroporto na margem sul ou em lado nenhum, e TGV, nem vê-lo. Bom, o que me parece é que eles não desejariam que fosse qualquer outro partido no governo, que não eles, a iniciar tais obras. Relativamente à OTA, não devemos deixar de referir o contorcionismo de Mário Lino, o do “jamais”, e do seu chefe Sócrates.

E que dizer do contorcionismo do CDS, ou antes do seu “dono” Paulo Portas, relativamente às sondagens? É certo que Portas até terá alguma razão. Normalmente, elas não lhe são favoráveis, mas daí até pedir a sua proibição já nas próximas campanhas eleitorais, por quem fora director do Centro de Sondagens da Moderna, é de entender isso como mais um belo exercício de contorcionismo, aliás de que ele já deu provas irrefutáveis do seu enorme talento nessa área, seja no Independente, no Ministério da Defesa, na Moderna ou ao leme do seu partido.

Quem também não deixou de revelar alguma arte nessa do contorcionismo, embora deva dizer que, com alguma estranheza para mim, foi Louçã. O líder bloquista, autoproclamado fiscal, defensor e praticante dos bons costumes, não resistiu à tentação do dinheiro e, vai daí, entra na unanimidade rara de votar ao lado daqueles a quem intitula de capitalistas e outros nomes, as alterações à referida lei de financiamento dos partidos.

Ao “rei” da Madeira, Alberto João Jardim, outro contorcionista, já lhe tinha encontrado alguns tiques hitlerianos. Os portugueses do continente e os estrangeiros só servem para lhe enviarem ou lá deixarem o dinheiro para se perpetuar no poder, de resto, no seu entender, são todos seres inferiores, de acordo coma as suas afirmações, a propósito da transferência de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid, em que ficamos todos a saber que “o povo madeirense é superior” e por isso o Cristiano Ronaldo “tem de ter um valor superior”.

Enfim, podemos ser um país de pouco dinheiro, mas de muitos malabaristas, contorcionistas e outros artistas.  

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Tuesday, June 9, 2009

Paixões

     

Mudando de um assunto mais solene, mais sério, para um mais ligeiro, mas também importante na vida das pessoas, para descomprimir dessa campanha em que se falou muito e pouco se disse, onde se beijou, abraçou, bajulou sem pinta de sentimento, deixe-me falar de amor, de paixão, coisas que uma grande parte dos políticos só têm por si próprios. São os campeões do narcisismo.

Mesmo sem dar grande importância às páginas cor-de-rosa, - não digo revistas, que essas não me sujam as mãos, - porque isso seria um desperdício de tempo, basta passar os olhos por alguns títulos, para verificar como alguns seres humanos, certamente mais modernos do que eu, esquecem repentinamente paixões avassaladoras,  o homem ou a mulher das suas vidas, para, tão de repente como o dito esquecimento, num espaço de tempo excessivamente curto, segundo o meu ponto de vista, se apaixonam loucamente, num amor que dizem ser eterno, até ao próximo que, às vezes aparece logo na folha seguinte do calendário. Com perto de 40 anos de casamento devo pertencer a uma espécie em vias de extinção, e que porventura os mais modernos e liberais abominam.

Assim seja, mas eu acho que o amor à primeira vista entre um homem e uma mulher - não me chamem homofóbico - é uma treta. O amor necessita de tempo, de convívio para se sedimentar. É certo que o pai, a mãe já amam o seu filho que ela traz no ventre, mas o amor profundo há-de construir-se com o tempo. O povo tem uma expressão que traduz isso muito bem: “parir é dor, criar é amor”. Num primeiro contacto, entre um homem e uma mulher, pode haver uma atracção mútua, imediata, que porá os corações a bater mais forte, podem sentir-se borboletas no estômago, a carne pode dar sinais de desejo, mas daí a dizer-se foi amor à primeira vista vai uma grande distância. Quando muito, pode estar aí o gérmen, ou não, de um grande amor. Aquilo a que alguns chamam amor não passa de uma paixão.

As paixões, ainda que grandes, se não forem alicerçadas na amizade, são como os incêndios: mais cedo ou mais tarde acabam por se extinguir. Por isso é que os casamentos que assentam apenas na paixão, de um modo geral, são pouco duradouros. Basta vermos o que se passa com muitas figuras públicas e mesmo com algumas que nós conhecemos, em que os casais se conheceram e depois de um convívio de mês ou poucos meses, chegam à conclusão de que estão a viver a paixão da vida deles. Poderá até ser. Só que as amizades sólidas não se constroem em tão pouco tempo. E para que um casamento, em especial, perdure no tempo, não basta a paixão, é necessária a tal amizade, que leva, por si, à capacidade de entender o outro, à tolerância, a saber perdoar, a pensar mais no outro do que
em si. Assim se constrói o amor, seja o amor entre um casal, seja qualquer outra espécie de amor. A paixão pode ajudar, indubitavelmente, mas só por si é muito pouco, porque depois de extinta, que sobra? Talvez apenas algumas boas recordações. Enquanto as verdadeiras amizades, mesmo que os relacionamentos arrefeçam, são perpétuas, as paixões são efémeras.

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Política - eleições europeias

      

Neste fim-de-semana aconteceram duas vitórias sem brilho: uma no futebol, com a selecção portuguesa a fazer renascer a esperança daqueles que a já tinham perdido – eu não – de estarmos presentes no Campeonato do Mundo de 2010; a outra, política, com o PSD a vencer, apenas, as eleições europeias, embora alguns queiram fazer crer que estas já foram uma primeira volta das legislativas. Com políticos destes a deturparem, a falsearem tudo, como querem que os eleitores sejam esclarecidos e se dêem ao trabalho de votar?! Na verdade, qualquer pessoa isenta, independente, não pode deixar de reconhecer que não houve brilho em qualquer das vitórias. Todavia, uma vitória, seja ela conseguida com um golo marcado pelo adversário na própria baliza ou à custa de uma grande penalidade inexistente que o árbitro decidiu assinalar –isto no futebol – ou com um voto a mais, nas eleições, é sempre uma vitória e, por isso, motivo de regozijo. Foi o que aconteceu neste último fim-de-semana. Portugal, não jogando bem, ganhou, que era o mais importante. O PSD, não ultrapassando os valores da sondagem publicada na última sexta-feira pelo Expresso e outros órgãos de comunicação social, que lhe atribuía 31,9 por cento dos votos, ficou ainda ligeiramente aquém, pois obteve 31,68 por cento. Quem perdeu redondamente e com isso beneficiaram os sociais-democratas foi o PS. E, sendo assim, de facto o PSD, pela derrocada do PS, obteve uma vitória claríssima. Mas, tal como Portugal, - estou a falar de futebol - não pode embandeirar em arco, julgando que está tudo facilitado para atingir os seus objectivos, também o PSD apenas tem razão para sorrir porque teve mais votos do que o seu adversário directo, mas, seguramente, não obteve um resultado que lhe permita pensar, ainda que ao de leve, que as legislativas serão favas contadas. Serão outras eleições, muito provavelmente com os partidos da esquerda a não retirarem ao PS o mesmo número de votos que lhe retiraram nestas, porque, afinal, comparando as sondagens que se publicaram e os resultados finais, como já se viu, não houve transferência de votos do PS para o PSD. Quem os recolheu foi a esquerda. De qualquer forma daqui a poucos meses já saberemos, embora tendo já a convicção que, sejam quais forem os resultados, as perspectivas não são de molde a dar tranquilidade aos portugueses, porque, presumindo-se que nenhum partido conseguirá a maioria absoluta – que todos desejariam, excepto quando estão fora do poder, revelando assim mais uma das muitas hipocrisias – ou se governa em minoria, o que é complicado, sobretudo no meio desta grave crise internacional que se vive, ou em coligação, sabendo-se também que “as coligações são sempre muito poderosas para derrubar, mas são sempre impotentes para criar”.

Nestas eleições, o governo não foi a votos, por muito que se saiba ou imagine que nestes resultados esteja também implícita uma punição ao governo. Seja como for, não é legítimo que se extrapole seja o que for, de modo a pretender querer que a partir de agora, o governo deveria entrar
em gestão. Foi eleito com maioria e o povo só decidirá o que quer nas próximas eleições. Poderia fazer aqui uma analogia para qualquer câmara municipal do país, mas vou referir-me apenas à do meu concelho. Pereira Pinto, é o Presidente da Câmara de Cinfães, eleito pelo PS, com maioria absoluta e, muito provavelmente, voltará a sê-lo nas próximas eleições. Neste acto eleitoral para as europeias também o PSD ganhou no concelho. Não me parece que nenhum cinfanense lhe passe pela cabeça que o executivo cinfanense se deveria limitar, desde já, apenas a actos de gestão. Não são os políticos, - todos eles -  sempre que lhes interessa, que costumam dizer que os mandatos devem ser para cumprir até ao fim e sem limitação de poderes?! Aquilo que para uns é errado, para outros é certo, por isso tem o poder quem o povo confiou o seu voto. Não se devem utilizar os actos próprios da vida democrática para legitimar outros que se configurem com golpes de estado.

Como já aqui falei de futebol, no início desta reflexão, deixe-me dizer que quem deixou de ter legitimidade para tomar decisões importantes como contratar treinadores e jogadores, vender ou emprestar jogadores, uma vez que, ao que parece, através de uma espécie de “golpe de estado”, para evitar a candidatura de Veiga, os órgãos sociais demitiram-se, é o Benfica. Não estranharei nada que alguns políticos benfiquistas, dos que questionam os poderes do governo, fiquem em silêncio.

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Tuesday, June 2, 2009

Pontos de Vista…52

     

Estão aí as eleições para o Parlamento Europeu. Quem viu por aí algum político, já não digo dos líderes nacionais ou distritais, mas dirigentes partidários concelhios a dar a cara, porque também têm essa obrigação, em meu entender, a explicar as propostas que cada um tem para a Europa? Eu não vi. Também para fazerem as figuras que os diversos candidatos têm feito, de acordo com aquilo que nos é dado constatar através dos média, mais vale estarem mudos e quedos. Falar de política europeia, apresentar propostas, não é com eles. No fundo parece que o que temos é uma campanha antecipada das legislativas, com a oposição a atacar o governo e o seu partido e estes a mostrarem a bondade das suas acções e a atacar aquela. Como querem chamar o povo aos votos, se muitos nem sabem que vai haver eleições e muitos outros não sabem que eleições são. A campanha parece resumir-se a um jogo de tacada – deixe-me dizer assim – e resposta, isto é, cada um dos partidos está à espera do que o outro afirma, para depois lhe cair em cima, numa de ver quem barrega mais alto, fazendo muitas vezes figuras de lerdos. O mais curioso, mas muito pouco interessante, e revelador de falta de ética, de pudor, é que não é difícil constatar que se porventura até estiverem de acordo com algumas afirmações dos adversários, baralham-nas, alteram-lhes o sentido para as poderem contestar. Revela a pequenez da generalidade dos nossos políticos. Quanto à não participação dos dirigentes distritais e concelhios, isso só comprova, uma vez mais, que a maioria dos nossos politicozinhos de meia tigela só se mexem quando se trata do seu “tacho” ou do seu “penacho”. Não posso conceber políticos amarrados a um partido com um comportamento destes. Chegando as legislativas e, mais ainda, as autárquicas, eles aí estarão todos a dar beijinhos e abraços, a distribuir bonés, sacos de plástico, esferográficas e outras bugigangas, mas sem coragem de fazer sessões de esclarecimento, de debater, de aceitar o contraditório por parte das plateias. Gostava muito que isso acontecesse na minha freguesia, no meu concelho, que os políticos viessem apresentar as suas propostas, ouvir os cidadãos, responder às suas questões. Assim, as campanhas tinham algum interesse, certamente não faltariam participantes e interlocutores com questões interessantes a pôr e a debater, os actos eleitorais seriam mais concorridos. Enfrentar os eleitores cara a cara, olhos nos olhos, a maioria dos políticos não têm coragem. É pena, pois teriam muito a aprender e talvez mudassem alguns dos seus comportamentos. E seria uma forma de mostrar algum respeito pelos cidadãos, sobretudo pelos eleitores. Eu não deixaria de estar presente e de certeza que participaria activamente. Aqui fica o meu repto. As campanhas eleitorais, se é que o que fazem se pode denominar de campanhas, não têm nada de formativo nem informativo, antes revelam um total desrespeito pelas pessoas.

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Já por mais do que uma vez aqui abordei o problema dos GIPS da GNR, essa força que em tão má hora foi criada e que, ao invés de colaborar na extinção dos incêndios florestais, tem sido, várias vezes, fonte de conflito. Parece-me que, por afirmações de alguns elementos dessa mesma GNR, este ano não irá fugir à regra, porventura poderá complicar-se. O contra-fogo é uma arma poderosíssima e, em muitos casos, a única forma de supressão do incêndio com o mínimo de malefícios. Se um determinado grupo de combate ao incêndio conclui que deve utilizar essa forma de supressão, não pode ser o grupo da GNR que chega posteriormente que vai impedir. Ou será que reconhecem aos elementos dessa força mais responsabilidade de decisão nessa área? Ou será que o comandante da força dos bombeiros, chegado ao local do incêndio, feita a avaliação e chegado à conclusão que a melhor solução ou única, é o contra-fogo, há-de ficar à espera que chegue uma qualquer autoridade florestal? O que cada comandante das operações deve fazer é aquilo que julgar ser o mais conveniente, depois de ter feito uma avaliação séria, desrespeitando mesmo, se para tal for necessário, o zelo da GNR. O que importa é extinguir o incêndio. Os elementos da GNR que participem, que dêem ordem de detenção, que façam aquilo que entenderem. Ou então deixá-los sozinhos no incêndio. Faço estas afirmações, na certeza de que seria exactamente assim que eu procederia se ainda estivesse no activo. Vou dar-lhe um exemplo concreto, em que fui interveniente. Foi exactamente no início do Verão de 1999, portanto há dez anos. Um enorme incêndio florestal consumia a floresta de Tabuaço, numa frente de cerca de
20 quilómetros e já tinha roubado a vida de alguns bombeiros da corporação local. Cerca das quatro horas da manhã, com a s viaturas dos bombeiros locais estacionadas no quartel e os bombeiros, em suas casas, abaladas ou em estado de choque com tamanha tragédia que se abatera sobre eles, estava eu no referido quartel, onde funcionava o posto de comando e onde eu era o mais alto superior hierárquico. Recebo um alerta de que ali, a cerca de quinhentos metros, havia umas instalações agrícolas com diverso equipamento e um número considerável de vacas que seriam totalmente devoradas pelo fogo se rapidamente não fizessem deslocar para lá um autotanque. Perto de mim não tinha nenhum bombeiro que estivesse habilitado a conduzir um autotanque, a não ser um motorista de uma empresa de transporte de passageiros. Tinha que tomar uma de duas possíveis decisões: ou não cometer nenhuma infracção e deixar estar o autotanque sossegado no quartel ou cometê-la, pondo o referido motorista a levar a viatura. È evidente que optei por esta última. Os bombeiros presentes no local, com o autotanque presente impediram que as instalações fossem devoradas pelo fogo e que as vacas morressem carbonizadas. Para além disso naquela frente conseguiram extinguir totalmente o incêndio. Hoje voltaria a cometer a mesma ou qualquer outra infracção, desde que essa fosse a melhor solução. Por isso é que eu falo como falo. As leis devem cumprir-se, mas há algo que por vezes é mais importante do que qualquer lei: é o bom senso.

Que a consciência nunca vos pese por terem deixado de fazer aquilo que deveríeis ter feito, ainda que contrariando as leis. Podereis, eventualmente, sentir algum desconforto por as coisas nem sempre correrem como desejavam, mas é preferível do que a consciência pesada por terem deixado de fazer algo, só para não infringir as leis ou regulamentos e daí ter resultado tragédia.  

O melhor é deixarmo-nos de andar a brincar aos fogos, porque se a coisa der para o torto e se os bombeiros se unirem e mostrarem exactamente a força que têm e como o país está dependente deles, alguém, que não eles, se irá queimar. Fazendo as afirmações que faço, não significa que não seja apologista da resolução dos problemas através do diálogo, só que quando o incêndio está activo não há tempo a diálogo, apenas acção. É bom, portanto, que se tomem medidas atempadamente, antes que venha a arder mais do que aquilo que deveria. Ah! Diz-se que os GIPS são forças vocacionadas para a primeira intervenção. Gostaria que me explicassem como é que elas chegam primeiro do que os bombeiros à maioria dos incêndios.

Que quem tem o poder de decidir tenha a lucidez suficiente para que cada um cumpra as funções para que está vocacionado e não interfira nas outras. O que algumas décadas de experiência me ensinaram é que forças vocacionadas para combate a incêndios são apenas os bombeiros. Não confundam o povo com fogos controlados, que nada têm a ver com incêndios florestais, nem metam outras forças onde não devem, fazendo tanta falta nos locais e nas acções onde deveriam estar.

Posted by Salazar at 14:57:17 | Permalink | No Comments »