Tuesday, June 9, 2009

Paixões

     

Mudando de um assunto mais solene, mais sério, para um mais ligeiro, mas também importante na vida das pessoas, para descomprimir dessa campanha em que se falou muito e pouco se disse, onde se beijou, abraçou, bajulou sem pinta de sentimento, deixe-me falar de amor, de paixão, coisas que uma grande parte dos políticos só têm por si próprios. São os campeões do narcisismo.

Mesmo sem dar grande importância às páginas cor-de-rosa, - não digo revistas, que essas não me sujam as mãos, - porque isso seria um desperdício de tempo, basta passar os olhos por alguns títulos, para verificar como alguns seres humanos, certamente mais modernos do que eu, esquecem repentinamente paixões avassaladoras,  o homem ou a mulher das suas vidas, para, tão de repente como o dito esquecimento, num espaço de tempo excessivamente curto, segundo o meu ponto de vista, se apaixonam loucamente, num amor que dizem ser eterno, até ao próximo que, às vezes aparece logo na folha seguinte do calendário. Com perto de 40 anos de casamento devo pertencer a uma espécie em vias de extinção, e que porventura os mais modernos e liberais abominam.

Assim seja, mas eu acho que o amor à primeira vista entre um homem e uma mulher - não me chamem homofóbico - é uma treta. O amor necessita de tempo, de convívio para se sedimentar. É certo que o pai, a mãe já amam o seu filho que ela traz no ventre, mas o amor profundo há-de construir-se com o tempo. O povo tem uma expressão que traduz isso muito bem: “parir é dor, criar é amor”. Num primeiro contacto, entre um homem e uma mulher, pode haver uma atracção mútua, imediata, que porá os corações a bater mais forte, podem sentir-se borboletas no estômago, a carne pode dar sinais de desejo, mas daí a dizer-se foi amor à primeira vista vai uma grande distância. Quando muito, pode estar aí o gérmen, ou não, de um grande amor. Aquilo a que alguns chamam amor não passa de uma paixão.

As paixões, ainda que grandes, se não forem alicerçadas na amizade, são como os incêndios: mais cedo ou mais tarde acabam por se extinguir. Por isso é que os casamentos que assentam apenas na paixão, de um modo geral, são pouco duradouros. Basta vermos o que se passa com muitas figuras públicas e mesmo com algumas que nós conhecemos, em que os casais se conheceram e depois de um convívio de mês ou poucos meses, chegam à conclusão de que estão a viver a paixão da vida deles. Poderá até ser. Só que as amizades sólidas não se constroem em tão pouco tempo. E para que um casamento, em especial, perdure no tempo, não basta a paixão, é necessária a tal amizade, que leva, por si, à capacidade de entender o outro, à tolerância, a saber perdoar, a pensar mais no outro do que
em si. Assim se constrói o amor, seja o amor entre um casal, seja qualquer outra espécie de amor. A paixão pode ajudar, indubitavelmente, mas só por si é muito pouco, porque depois de extinta, que sobra? Talvez apenas algumas boas recordações. Enquanto as verdadeiras amizades, mesmo que os relacionamentos arrefeçam, são perpétuas, as paixões são efémeras.

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Política - eleições europeias

      

Neste fim-de-semana aconteceram duas vitórias sem brilho: uma no futebol, com a selecção portuguesa a fazer renascer a esperança daqueles que a já tinham perdido – eu não – de estarmos presentes no Campeonato do Mundo de 2010; a outra, política, com o PSD a vencer, apenas, as eleições europeias, embora alguns queiram fazer crer que estas já foram uma primeira volta das legislativas. Com políticos destes a deturparem, a falsearem tudo, como querem que os eleitores sejam esclarecidos e se dêem ao trabalho de votar?! Na verdade, qualquer pessoa isenta, independente, não pode deixar de reconhecer que não houve brilho em qualquer das vitórias. Todavia, uma vitória, seja ela conseguida com um golo marcado pelo adversário na própria baliza ou à custa de uma grande penalidade inexistente que o árbitro decidiu assinalar –isto no futebol – ou com um voto a mais, nas eleições, é sempre uma vitória e, por isso, motivo de regozijo. Foi o que aconteceu neste último fim-de-semana. Portugal, não jogando bem, ganhou, que era o mais importante. O PSD, não ultrapassando os valores da sondagem publicada na última sexta-feira pelo Expresso e outros órgãos de comunicação social, que lhe atribuía 31,9 por cento dos votos, ficou ainda ligeiramente aquém, pois obteve 31,68 por cento. Quem perdeu redondamente e com isso beneficiaram os sociais-democratas foi o PS. E, sendo assim, de facto o PSD, pela derrocada do PS, obteve uma vitória claríssima. Mas, tal como Portugal, - estou a falar de futebol - não pode embandeirar em arco, julgando que está tudo facilitado para atingir os seus objectivos, também o PSD apenas tem razão para sorrir porque teve mais votos do que o seu adversário directo, mas, seguramente, não obteve um resultado que lhe permita pensar, ainda que ao de leve, que as legislativas serão favas contadas. Serão outras eleições, muito provavelmente com os partidos da esquerda a não retirarem ao PS o mesmo número de votos que lhe retiraram nestas, porque, afinal, comparando as sondagens que se publicaram e os resultados finais, como já se viu, não houve transferência de votos do PS para o PSD. Quem os recolheu foi a esquerda. De qualquer forma daqui a poucos meses já saberemos, embora tendo já a convicção que, sejam quais forem os resultados, as perspectivas não são de molde a dar tranquilidade aos portugueses, porque, presumindo-se que nenhum partido conseguirá a maioria absoluta – que todos desejariam, excepto quando estão fora do poder, revelando assim mais uma das muitas hipocrisias – ou se governa em minoria, o que é complicado, sobretudo no meio desta grave crise internacional que se vive, ou em coligação, sabendo-se também que “as coligações são sempre muito poderosas para derrubar, mas são sempre impotentes para criar”.

Nestas eleições, o governo não foi a votos, por muito que se saiba ou imagine que nestes resultados esteja também implícita uma punição ao governo. Seja como for, não é legítimo que se extrapole seja o que for, de modo a pretender querer que a partir de agora, o governo deveria entrar
em gestão. Foi eleito com maioria e o povo só decidirá o que quer nas próximas eleições. Poderia fazer aqui uma analogia para qualquer câmara municipal do país, mas vou referir-me apenas à do meu concelho. Pereira Pinto, é o Presidente da Câmara de Cinfães, eleito pelo PS, com maioria absoluta e, muito provavelmente, voltará a sê-lo nas próximas eleições. Neste acto eleitoral para as europeias também o PSD ganhou no concelho. Não me parece que nenhum cinfanense lhe passe pela cabeça que o executivo cinfanense se deveria limitar, desde já, apenas a actos de gestão. Não são os políticos, - todos eles -  sempre que lhes interessa, que costumam dizer que os mandatos devem ser para cumprir até ao fim e sem limitação de poderes?! Aquilo que para uns é errado, para outros é certo, por isso tem o poder quem o povo confiou o seu voto. Não se devem utilizar os actos próprios da vida democrática para legitimar outros que se configurem com golpes de estado.

Como já aqui falei de futebol, no início desta reflexão, deixe-me dizer que quem deixou de ter legitimidade para tomar decisões importantes como contratar treinadores e jogadores, vender ou emprestar jogadores, uma vez que, ao que parece, através de uma espécie de “golpe de estado”, para evitar a candidatura de Veiga, os órgãos sociais demitiram-se, é o Benfica. Não estranharei nada que alguns políticos benfiquistas, dos que questionam os poderes do governo, fiquem em silêncio.

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