Monday, June 29, 2009

Cavaco Silva e a misteriosa sondagem

     

Cavaco Silva não foi eleito com o meu voto. Todavia, sendo que é o Presidente de todos os portugueses é também o meu, a quem devo e pratico o respeito que a mais proeminente figura do Estado nos merece. Isso não implica, contudo, que esteja sempre de acordo com os seus actos. O desacordo nada tem a ver com o facto de não ter merecido o meu voto, nem tão pouco significa uma falta de respeito. Só os que não pensam, os subservientes, aqueles que não conseguem ver para além dos seus partidos ou das figuras com quem simpatizam, ou que lhes podem ser mais úteis, é que não manifestam discordâncias. Relativamente ao nosso Presidente da República e vindo-me à memória a expressão “não basta sê-lo, é preciso parecê-lo”, parece-me que; à semelhança de Sócrates, a quem se podem associar, nestes últimos dias, uma série de factos mal explicados ou, se quiser, de trapalhadas, não tem andado muito bem, pois, intencionalmente ou não, tem andado a dar a mão, a Manuela Ferreira Leite. Se não anda, de facto parece e, a escassos meses de eleições legislativas, não abona nada a favor de um Chefe de Estado, que não obstante a sua reconhecida ligação partidária, que não tem nada de mal, se quer absolutamente isento. Algumas suas afirmações e tomadas de posição dão a entender isso. Algumas dão-me um bocado que pensar, como aquela da sondagem que mostrava que a maioria dos portugueses desejava que as duas eleições se fizessem num só dia. Até acredito que essa fosse a vontade maioritária dos nossos compatriotas, mas não deixo de me confrontar com duas questões:

Primeira – é uma realidade que todos os partidos, todos os políticos se regem mais ou menos por sondagens, mas também é verdade que condenam sempre quem entendem que governa, que executa de acordo com as sondagens. Então o Presidente da República fala numa sondagem, antes de ouvir os partidos políticos e cujo resultado é favorável ao partido da sua simpatia e liderado por uma amiga pessoal?

Segunda – Que sondagem foi essa que ninguém conhece, que não foi publicada em nenhum órgão de comunicação social? Será que o Presidente da República também manda fazer sondagens para traçar a sua conduta?

Apesar da referida misteriosa sondagem, Cavaco Silva, decidiu, e bem, de acordo com a maioria dos partidos. Aqui teve uma actuação positiva. Mas afinal para que foi a sondagem?

Será apenas o parecer, mas creio que a contenção nas palavras e nos actos, que Cavaco Silva pede, algumas vezes com razão, também a deverá tomar para si.

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Mãos…às obras

     

De vez em quando paro, por escassos minutos, a observar o andamento das obras de requalificação do Largo da Feira, em Nespereira. À medida que as referidas obras vão avançando e dando a perceber qual será o resultado final, mais me repugna ver ali aquele mamarracho do coreto. Já o afirmei, e repito, uma obra que não está minimamente enquadrada no ambiente, de construção recente, com materiais que chocam com os que estão a ser utilizados e bem, que não evoca qualquer figura ou facto históricos, que não tem qualquer utilidade, actualmente, muito menos se espera que tenha no futuro, que rouba espaço à passagem de viaturas, ficar ali plantada, só não digo que é reveladora de mau gosto dos responsáveis, porque, sinceramente, eu acredito que eles também não gostam, mas é reveladora de uma coisa bem mais feia, em meu entender, que é a falta de coragem política para o derrubar. Praticamente todos os que encontro nas referidas observações, ou aqueles com quem falo sobre o assunto, são da mesma opinião, embora não me admire que alguns deles, na frente do Presidente da Câmara ou de quem o mandou construir, Armando Soares, digam outra coisa. A hipocrisia demasiado generalizada é coisa que me não surpreende. Derrubar o coreto era tão ofensivo para Armando Soares como ofensivo era ou foi, ele derrubar ou vender o que herdou dos pais, isto é, não há nem houve qualquer ofensa. É a lei da vida. Para se caminhar em frente, para se progredir, para se criarem melhores condições para vivermos, temos, muitas vezes, que derrubar casas, abater florestas, aplanar ou perfurar montanhas, mudar o curso dos rios, até dominar os mares.

Espero que um dia, que não esteja longe, ainda estes autarcas ou outros que lhes venham a suceder, sejam impregnados da coragem para fazer o que hoje deveria ser feito.

Ah, já agora, porque muito do que se faz ou deixa de fazer, tem a ver com a contabilização de votos, deixe-me dizer que andam por aí muitos políticos enganados com o valor dos seus caciques, das suas companhias, dos seus lambe-botas, dos seus interesseiros lacaios ou apoiantes. Alguns não valem mais do que o seu próprio voto. Bom, os políticos, entre outros atributos, também têm o direito de ser ingénuos, isto para não utilizar as palavras de Camilo Lourenço, que a propósito de Dias Loureiro, Oliveira e Costa e quejandos, propôs à “Porto Editora” que acrescentasse aos sinónimos de político que constam do seu dicionário, mais os seguintes: hominho, aldrabão, trafulha, safado, mentiroso, vigarista, desonesto, salafrário, sem verticalidade.

Bem, ainda há quem seja mais contundente do que eu.

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Parece-me que uma ligação de Cinfães à A4 deve procurar servir a maioria dos munícipes e ter em atenção para onde se dirige o maior fluxo de viaturas. Creio que isto é perfeitamente entendível por todos e que assim é que será justo. Ora a maioria dos munícipes vive nas freguesias que margeiam o Douro entre Cinfães e Souselo, caminhando para jusante, acrescentando-lhe Nespereira, Fornelos Moimenta e Travanca. O grande movimento de pessoas é em direcção à Área Metropolitana do Porto. Assim sendo, qualquer transposição para a margem direita do Douro para ligar à referida A4, que não tenha como limite máximo, para montante, a Barragem do Carrapatelo, é um tremendo erro e uma enorme injustiça para a maioria dos cinfanenses. Se alguém ousar pensar que há aqui algum “puxar a brasa para a sua sardinha” ou laivos de bairrismo excessivo, que apresente melhor justificação para qualquer outra hipótese.

É bom que os cinfanenses se comecem a debruçar desde já sobre o assunto e aproveitem a pré-campanha e campanha para as eleições legislativas e sobretudo as autárquicas para debater o problema com os candidatos, que vão andar por aí a distribuir panfletos, bugigangas, beijos e abraços, se eles tiverem coragem de ouvir, que actualmente eles gostam mais de monólogos.

Quanto à Estrada Nacional 225, não obstante ser verdade que ela serve de alternativa à 321 quando há neve, ela é utilizada principalmente e com grande tráfego diário em direcção ao Porto. Essa, sim, é uma perigosa vergonha, inadmissível no final da primeira década do século XXI. O Director de Estradas de Aveiro prometeu que colocaria barreiras de segurança no segundo semestre de 2008. Já lá vai o primeiro de 2009 e nem uma. Esta gente convive bem com a mentira e diga-se, de passagem, confia, também, na pacificidade do nosso povo, mas que se cuidem, porque talvez seja só até um dia que pode não estar longe.

Posted by Salazar in 11:44:42 | Permalink | No Comments »