Monday, May 25, 2009

Pontos de Vista…51

     

Um ex-funcionário da Câmara Municipal do Porto, acusado de um crime de peculato praticado já há vários anos foi julgado e condenado a três anos de pena suspensa e a devolver à Câmara 50 687 euros que desviara da autarquia. Se na justiça portuguesa pouco ou nada já nos pode surpreender, nomeadamente a sua morosidade, mesmo assim estranhamos que o colectivo de juízes que proferiu tal sentença tenha concluído ainda que o ex-funcionário agira sob as ordens da vereadora, à época, Ernestina Miranda, ex-arguida no processo e nada aconteça, ao que se sabe, à referida senhora. Quem está certo? Quem lhe retirou a condição de arguido e manteve a acusação ao funcionário ou este colectivo? Se é este colectivo que está certo, a ex-vereadora não deveria ir a julgamento? A mim parece-me que sim. É por estas e muitas outras que o português comum, como eu, não compreende a justiça. Não compreende e não confia.

Quando tomamos conhecimento de factos praticados por magistrados, que deveriam ter um comportamento exemplar, irrepreensível, que revelam tudo menos isso, como o daquele procurador da república que injuria e ameaça um polícia e de um outro que arquivou a participação do referido polícia, para não falarmos de outros casos, mais antigos ou mais recentes, como é que se pode acreditar numa justiça feita por gente desta? E se, exactamente as mesmas palavras, em vez de terem sido proferidas pelo magistrado, tivessem sido pelo polícia? E se fossem por mim? Ou por si? Não vale a pena responder, que todos sabemos a resposta.

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De há muito que se reconhece Marinho Pinto, o bastonário da Ordem dos advogados, como um homem polémico, com o coração perto da boca, logo sujeito a alguns excessos de linguagem, ou antes, ao uso de uma linguagem que não se enquadra no chamado politicamente correcto. Mesmo com os tais hipotéticos excessos, prefiro as pessoas assim, àquelas que “mordem pela calada”, que entre uma palmadinha nas costas e uma ferroada, dizem uma coisa pela frente e outra por detrás. No dia do advogado, Marinho Pinto fez algumas acusações a advogados. Logo o corporativismo entrou em acção e uma série deles, entre outras coisas, começou a traçar planos para a sua demissão.

De acordo com informação posterior da comunicação social, cerca de um advogado por dia é processado. Imaginamos a quantidade deles que não o são por dificuldades de vária ordem, dos seus clientes, ou mesmo por receio da força corporativista, que normalmente funciona nestas situações, não obstante não ignorarmos as invejas que têm uns dos outros, Parece que afinal Marinho tinha razão.

Não é preciso o bastonário da Ordem afirmar que há colegas especialistas em ajudar clientes a cometer delitos. Os portugueses, de um modo geral, sabem-no muito bem. Basta ver os inquéritos feitos à credibilidade de profissionais das mais diversas áreas, para se ter a noção disso. E as frases sobre advogados, quase tantas como de alentejanos, que correm de boca em boca, sempre depreciativas!

Marinho Pinto pegou-se com Manuela Moura Guedes, esse abominável exemplar da televisão portuguesa. É pena que ela não enfrente mais “Marinhos Pinto”, a ver se aprendia, já que os seus chefes parecem não terem olhos nem ouvidos. Não sendo jornalista, mesmo assim, não receio afirmar que o que Manuela Moura Guedes faz, mais do que questionar, emitindo opiniões, julgando, criticando, sorrindo sarcasticamente, às vezes mesmo casquinando, não é de todo jornalismo sério. Penso que os verdadeiros jornalistas terão razões de sobra para não se orgulharem de ter tal pessoa como colega de ofício.

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Uma só ovelha não faz um rebanho. Não são alguns maus professores que tornam a classe pouco credível. Seria o mesmo que estarmos a classificar uma floresta pela análise de meia dúzia de árvores que estivessem ali à frente dos olhos. Mas numa classe que tem um papel fundamental no futuro de todos nós, não apenas daqueles que lhe passam pelas mãos, porque a ela cabe a formação e parte da educação das nossas crianças e dos nossos jovens, é arrepiante estarmos a tomar conhecimento, constantemente, de tantos professores absolutamente incompetentes, com diplomas académicos, mas sem formação adequada, sem conhecimentos suficientes para ministrarem as disciplinas que ministram, sem civismo, sem ética, sem educação, pedófilos, abusadores sexuais. Para bem dos nossos filhos, dos nossos netos, de todos nós, esta gente tem de ser varrida rapidamente das nossas escolas. Que os sindicatos cumpram e bem o seu papel, mas tenham algum pudor e não se ponham a defender gente deste jaez, alguns com comportamento criminoso, estorvando a acção de quem tem que proceder a tal “limpeza”. Os criminosos não serão tantos assim, mas os incompetentes são muitos. Quem habitualmente lida com crianças ou adolescentes que frequentam as escolas, dá conta de muita miséria. Não admira que muitos procurem fugir da avaliação “como o diabo da cruz”. Contrariamente ao que alguns afirmam, pretendendo fazer crer que querem ser avaliados, que não concordam é com determinado tipo de avaliação, o que eles de facto não querem é simplesmente ser avaliados. O mau que havia no nosso ensino, antes da Revolução de Abril, está muito longe do péssimo que existe hoje.

Posted by Salazar in 21:33:34 | Permalink | No Comments »