Friday, October 10, 2008

Pontos de Vista…18

     

Disse Horácio que “ a virtude dos pais é um grande dote”. Infortunadas crianças que não usufruem de dotes materiais e muito menos encontram nos pais uma virtude de que se possam orgulhar, antes, muito provavelmente, sentirão vergonha dos pais que têm. Há gente com sorte e gente com pouca sorte. O mundo é feito assim: de contrastes, de paradoxos, de injustiças, em que inúmeras vezes, o sofredor é o justo, o imaculado e feliz, aparentemente, pelo menos, é o pecador.

Há indivíduos que fazem filhos, ou antes, praticaram, irresponsavelmente, um acto sexual, um mero exercício de prazer carnal, que deu origem a um ser que teve a pouca sorte de, por força desse acto em que apenas a satisfação da carne esteve presente na mente, sem nunca curar de pensar nas consequências, ser filho de tão imprudentes progenitores. Não viria grande mal se, tomada consciência da consequência da responsabilidade, despertassem para os seus deveres, adquirissem garra, vontade de trabalhar para fazer crescer aquilo a que deram vida, cumprindo assim as suas obrigações de pais, para que aqueles que são sangue do seu sangue, se desenvolvam saudáveis e com afecto à sombra da “árvore” da qual são “fruto”. Mas não, lançaram-nos no mundo e vivem despreocupadamente sem quererem saber do que aconteceria a esse ser inocente se não tivesse um dos progenitores, embora meeiro no pecado original, mas que soube assumir a culpa e redimir-se, cuidando da criança, com apoio dos avós e/ou outros familiares. Pais com sorte, embora sem escrúpulos, que fazem os filhos e têm quem lhos crie. Filhos sem sorte por serem filhos de tais pais, mas simultaneamente com sorte por terem quem os ampare, proteja e lhes dê afecto, ainda que não existam laços de sangue. Talvez por isso é que Giovani Boccacio disse que “os laços da amizade são mais estreitos que os laços de sangue”.

Nem a existência desses pequenos seres, os melhores do mundo, fazem esses pais tomar consciência, acordar para a realidade e trabalharem para si, para os filhos, deixando de parasitar e fazendo com que esses mesmos filhos, mais tarde, para além de não se sentirem devedores de nada aos pais, ainda, ao invés, de sentirem algum orgulho, sintam vergonha. São pais que não coram, o que é mau, porque como diz Mark Twain “o homem é o único animal que cora ou que deveria corar”.

Poderemos inferir daqui que não bastam os laços de sangue para que se construa uma família. A minha verdadeira família é constituída por todos aqueles que me querem bem e eu retribuo e nesses se incluem, obviamente, alguns que têm laços de sangue e muitos outros que os não têm, mas têm os da amizade. E há alguns que estando ligados por laços de sangue, não os contabilizo na família, porque lhes mingam os laços da amizade, sendo que estes são mais importantes do que aqueles se não forem acompanhados por estes.

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Fartamo-nos de dizer mal da justiça, porque, ou não entendemos ou estamos mesmo certos de que funciona mal. Ainda há dois ou três dias uma magistrada do Ministério Público mandou para casa um gang armado, suspeito de assaltos e com todos os seus elementos já cadastrados. Temos dificuldade em aceitar isto. Apesar de tudo, de vez em quando surgem notícias que nos dão algum alento e é de elementar justiça que se divulguem.

Alberto João Jardim já nos habituou à sua grosseria, que outros preferem classificar de outras formas. O que ele é, de facto, é mal-educado. Como tem uma série de lacaios que vivem à sua sombra, outros que precisam dos votos que ele, de forma pouco democrática, arrebanha, aplaudem as suas imbecilidades, dão-lhe palmadinhas nas costas ou, pelo menos, suportam-no, silenciosamente, sem um reparo. E o rei da parvoíce lá vai maltratando este e aquele sem que ninguém o trave. Felizmente, houve um juiz que, dando mais valor à natureza do crime do que >à categoria da pessoa que o cometeu, contrariando a normalidade, indiferente ao facto de o criminoso ser o Presidente da Região Autónoma da Madeira ou um qualquer carregador de turistas, condenou Alberto João a pagar vinte mil euros por insultos a Edite Estrela. Ora aí está um juiz que merece aplausos.

Se todos a quem Jardim já insultou se queixassem nos tribunais e se a decisão destes fosse idêntica, já o desbocado madeirense tinha entrado nos eixos e mais relego na língua.

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Um estudo divulgado por um especialista em Direito do Trabalho, indica que, em cada dez mulheres, quatro são assediadas no trabalho.

Tendo exercido diversas actividades, sempre com os sentidos bem despertos, conhecendo a mentalidade dos meus compatriotas que entendem que “a galinha da vizinha é melhor do que a minha”, que é como quem diz que a mulher dos outros é sempre mais apetitosa do que a nossa, acredito plenamente nos números. Depois há o tique latino de muitos dos nossos homens que entendem que para se sentirem verdadeiramente machos se Têm de atirar, ainda que seja apenas com palavras avulsas, brejeiras, às vezes a raiar a rudeza, a todas as colegas ou subordinadas, especialmente se forem casadas, que dá mais gozo. Está visto, portanto, que não estranho nada. O que eu estranho é que num país que se diz defensor e cultivador da igualdade de direitos dos géneros, só se fale em assédio sexual de mulheres e haja, inclusive, comissões para tratar desse fenómeno. Então que raio de igualdade é essa?! Ninguém fala dos homens que são assediados por colegas e patroas e por muitas outras mulheres que não são nem uma coisa nem outra. Coitados de alguns, sobretudo quando são assediados por patroas ou superioras hierárquicas. Que podem eles fazer, para manter o emprego e poderem sustentar a família, senão corresponderem ao assédio?! E quando a autora do assédio é um “borracho”, ainda vá que não vá. Agora quando ela é uma matronaça repelente, deve ser duro de roer. Quem defende estes pobres homens?! Quem?!

Também há as que assediam os chefes. Então quando elas têm uma carinha “laroca”, umas curvas bem delineadas num corpinho 86-60-86 e usam vestido um palmo acima dos joelhos e um decote um palmo abaixo do pescoço, isso proporciona-lhes uma enorme confiança, um gaiato atrevimento e, vai daí, pobres chefes, ou não são de pau e atiram-se a elas, ou fecham os olhos, os ouvidos e vão rezar a um qualquer santo protector do assédio sexual, que também os há-de haver.

Bom, cá por mim, em tempos em que tinha um corpo mais esguio, menos arredondado, um ar mais viçoso, não com mais charme que julgo ter sublimado – perdoe-me a vaidade – também sofri os meus assédios. Confesso, todavia, que nunca fiz nada para contrariar tal situação. Pobre ingénuo, eu. Entregava-me docilmente nas mãos, nos braços, no corpo, em tudo, de todas as que ousavam assediar-me. Nunca me consegui defender, nunca ninguém me defendeu, nunca conheci nenhuma instituição que defendesse os homens vítimas de assédio sexual por parte das mulheres. Pobres de nós. Pelos vistos continuam a pensar apenas nas mulheres. É injusto. Falando mais a sério, estou convencido que a maioria das mulheres – e homens também – não se queixam, não o fazem apenas por medo, mas porque não deixam de sentir uma pontinha de prazer com o assédio. Dificilmente uma cara feia e um corpo monstruoso abrirão o apetite a qualquer assediador ou assediadora.

Posted by Salazar in 22:51:53 | Permalink | No Comments »