Pontos de Vista…24
Creio que ninguém de bom senso e espírito crítico isento acreditará que nesta balbúrdia em que está transformada a educação, haverá intervenientes sem qualquer espécie de culpa no cartório. Governo, sindicatos, professores, alunos, pais, políticos, todos têm a sua quota-parte de responsabilidade. Uns mais do que outros. É estranho que num processo relativo a educação, se verifique por parte de uma grande parte dos agentes nela envolvidos, tanta falta dela. Muito do que nos é dado ver e ouvir tresanda à mais requintada má educação. E nós questionamos como é possível imaginarmos um futuro risonho, com gente bem formada, respeitadora, educada, com tantos pais, professores e, obviamente os seus filhos e alunos, a terem os comportamentos a raiar a selvajaria, que nos têm sido dados a observar.
Entre outros actos repugnáveis, uns e outros mentem, umas vezes descaradamente, outras dissimuladamente, outras vezes usando meias verdades. Parece-me que muita dessa gente que debita “bacoradas” deve imaginar que todos os portugueses são parvos, de outra forma teriam mais cuidado com a sua linguagem, sobretudo quando tentam justificar o injustificável ou “sacudir a água do capote”.
Quando alguns professores e sindicatos chamam mentiroso ao primeiro-ministro por dizer que há três décadas os professores não são avaliados, eu que fui professor durante esse tempo, gostaria que me informassem por que espécie de avaliação credível terão passado os professores nesse período, porque eu, efectivamente, não me apercebi dela. Sendo assim, no meu ponto de vista, quem não está a falar verdade são esses professores e seus sindicatos.
Quando alguns professores e sindicatos afirmam que todos os professores querem ser avaliados, o que contestam é o modelo de avaliação, isso não corresponde à verdade. Se há muitos e bons que a desejam, até para que se distingam dos medíocres e péssimos, há muitos outros que não desejam nenhuma, que “fogem dela como o diabo da cruz”, porque o resultado de tal avaliação, a ser séria, só poderia ser uma demonstração de incompetência.
Alguns, de tanto mentir, correm o risco de “ninguém acreditar neles mesmo quando dizem a verdade”.
Por uma questão de justiça, porque a avaliação obrigatoriamente baixará os níveis de incompetência e subirá os da competência, é urgente que ela se leve a cabo. A que se julgar melhor, ainda que para isso se tenham de fazer experiências. Sem elas nunca saberemos qual a melhor. Para tanto, basta que todos os agentes nela envolvidos, estejam de boa-fé. O que não tem acontecido. Para além dos meros interesses de classe, estando-se alguns a “borrifar” para a escola e para os alunos, são bem evidentes os movimentos partidários, junto dos professores e sindicatos e agora até também junto de alunos, alguns ainda pré-adolescentes.
É uma vergonha o que alguns pais, professores e políticos fazem, por acção ou omissão junto de alunos, conduzindo-os ou, pelo menos, permitindo pacificamente, essas manifestações repugnantes que tivemos oportunidade de observar.
Repito o que disse no início: haverá alguém de espírito crítico isento que acredite que tais manifestações foram espontâneas?! Quem é que é “burro”, no meio disto? Eu não, de certeza. Certamente quem afirma a espontaneidade de tais manifestações. Imagine, meu amigo, uma manifestação espontânea de alunos já preparados com ovos e tomates – e dizem que a vida está cara - e fazendo as ditas manifestações junto de escolas que não são as suas e, provavelmente até, com jovens que nem sequer estudantes são! É óbvio que gente deste jaez não nos pode merecer credibilidade. Aqueles pais que estão verdadeiramente interessados numa educação e formação autênticas dos seus filhos têm razão para estarem altamente preocupados. As políticas do governo para a educação não serão as mais adequadas e com algumas escolas e professores a funcionarem como funcionam, a situação é altamente preocupante. Infelizmente, a preocupação deve ser de todos os portugueses. Aqueles que pensam em cá andar daqui a vinte, trinta anos, deve-lhes ser difícil imaginar ter elementos suficientes com formação e educação adequadas para tomar as rédeas do país e suas principais instituições.
É bom que cada um seja sério, seja menos intransigente, pense mais no interesse colectivo do que no pessoal e pode ser que ainda vamos a tempo de remediar qualquer coisa.
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Manuel Alegre pratica religiosamente a política do contra. Deve ser um trauma que lhe vem do tempo da ditadura e que ele ainda não conseguiu ultrapassar. Eu que até admito que tenha um feitio algo semelhante, só o critico pelo facto de ele ser membro de um partido, ser desde a Revolução dos Cravos deputado por esse mesmo partido, o que deveria fazer com que as críticas que houvesse de fazer fossem menos públicas e mais no interior do grupo, lutando pelas suas ideias, mas respeitando as da maioria. Quem não quiser, quem não conseguir ter esta postura, só deveria ter um caminho: desligar-se do partido. Porque eu também sou demasiado cioso da minha liberdade de expressão, não me vejo ligado a qualquer partido. Certamente teria a postura de Manuel Alegre, que não acho correcta.
Finalmente, Manuel Alegre parece ponderar afastar-se do PS, o que eu entendo que já vem tarde, se vier. Mas como “vale mais tarde do que nunca…”. Fora dos partidos, Manuel Alegre, no meu ponto de vista, terá muito mais legitimidade para dizer tudo o que pensar.
Alegre está, normalmente, contra o poder, caindo na tentação de se pôr sempre ao lado daqueles que estão contra esse mesmo poder, mesmo sem curar de saber se têm ou não razão. É aquilo a que o povo costuma apelidar de “espírito de contradição”. Admito que, neste momento, em que a sua postura é mais evidente, tenha a ver com a possível vontade de uma nova candidatura a Belém.
Admiro alguns, não digo todos, daqueles que se opuseram, das mais diversas formas, à ditadura. Digo alguns, apenas, e não todos, porque muitos fugiram à guerra nas ex-colónias, emigraram a salto, não por convicção, não porque a guerra os chocasse, mas por medo de morrer, por covardia mesmo. Quantos fugiram para o estrangeiro, sem que lhes deva a mínima coisa na luta pela mudança. Instalaram-se, viveram uns com dificuldades, outros “à grande e à francesa”, mandaram Portugal às “malvas”. E alguns que regressaram, fizeram-no com malévolo sentido de oportunidade e ainda pretenderam ser considerados heróis, julgando que lá por fugir ao regime, algumas vezes abandonando, completamente desprotegidos, os familiares mais próximos, lhes deveria ser concedido esse estatuto.
É o mesmo que acontece com muitos outros que foram perseguidos ou presos pela PIDE. Entendem que isso lhes basta para serem rotulados como campeões da democracia. Democracias que alguns deles nunca praticaram nem praticam.
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Divulgou a imprensa que alguns administradores da SAD do Futebol Clube do Porto receberão, cada um deles, 800 000 euros se o clube ficar em terceiro lugar, provavelmente, até ao terceiro lugar. Bom, para falar em termos que se perceba melhor, é 160 000 contos, que significam mais de treze mil por mês. E há adeptos que acham isso muito bem. Grande amor clubista, não há dúvida.