Monday, March 16, 2009

Pontos de Vista…41

     

Tudo o que os “media” publicam, sobretudo de mais negativo, serve para que a oposição venha logo em bloco assacar culpas ao governo, sem sequer se preocupar que não poucas vezes o que vem a público é de duvidoso rigor. Isto verifica-se facilmente se compararmos atentamente os títulos dos jornais e os textos respectivos. Entre muitos outros exemplos que poderíamos apontar, veio a público, há dias, uma estatística criminal. Logo a oposição, sobretudo a de direita, veio a terreiro crucificar o governo, fazendo uma análise grosseira dos números, à medida das suas conveniências, continuando a bater na velha questão de mais e mais polícias, como se isso fosse a solução e esquecendo-se que já passaram pelo governo com muitos menos polícias e meios. Cheguei a dar boleia a uma patrulha da GNR para resolver um acidente rodoviário, porque a única viatura operacional que o Posto tinha estava envolvida numa outra operação. É minha convicção, que já aqui manifestei por mais do que uma vez, que o problema da criminalidade tem muito mais a ver com justiça do que com polícia. Não vou voltar a apresentar aqui a justificação para essa minha convicção, até porque mesmo relativamente à justiça as coisas terão melhorado, embora não tanto como eu entendo que seria desejável. Para desmontar esta apetência da oposição para atingir o governo, vou socorrer-me das palavras insuspeitas de Moita Flores, que até é Presidente da Câmara de Santarém, eleito pelo PSD, embora como independente. Porque acho da maior importância para que todos nós saibamos como se faz política baixa, vergonhosa, atrevo-me a citar alguns trechos da sua habitual crónica no Correio da Manhã. Diz ele: “…ao pico maior da criminalidade violenta, ocorrido entre Agosto e meados de Setembro, a reacção policial fez com que, em finais de Outubro, estivessem desvendados, resolvidos, e com indivíduos presentes a juiz, 87% dos crimes. Conclusão: ao aumento de criminalidade, o Estado desempenhou bem o seu papel, através das acções da PJ, PSP e GNR. Por outro lado, o crime violento não aumentou em todo o País.” Fim de citação. Perante isto, parece-me que o governo terá dado a resposta adequada, o que não significa que não desejemos, legitimamente, mais e melhor. Obviamente que sim. Mas, conhecendo-se estes dados, se não se esperaria que a oposição os aplaudisse, pelo menos que se calasse. Acontece, porém, uma outra coisa e que vale a pena referir. Atacado, imensas vezes, o governo, por fazer propaganda dos seus méritos, talvez aqui tenha pecado por defeito, isto é, não terá trazido à luz do dia tudo o que aconteceu no período a que se refere o relatório criminal. Moita Flores di-lo desta forma, e cito de novo: “ Era bom para o País, que os senhores ministros da Administração Interna e da Justiça informassem também quantos indivíduos foram presos, quantos foram constituídos arguidos, quantos ficaram em prisão preventiva. De certeza que acalmavam os urros da indignação.” Fim de citação. Era bom para si, para mim, para o País em geral, porque não terá sido por desconhecimento desses dados que a oposição reagiu da forma que o fez. Se fosse por isso, caber-lhe-ia agora uma palavra nesse sentido. Mas não a teremos. Recordo aquele provérbio indiano que diz: “Quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores que o silêncio”.

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Dar nomes a ruas, praças, avenidas, edifícios, etc. deve requerer o maior cuidado, deve pressupor a prática de feitos que a maioria das pessoas ligadas à área territorial ou às instituições, reconheçam como heróicos, distintos, de importância fundamental. Por isso entendo que os nomes atribuídos pelas autarquias devem merecer uma discussão ampla no seio da assembleia municipal ou de freguesia e um consenso mais alargado possível. Não me parece saudável que uma aprovação dessas seja feita apenas por uma força política ainda que maioritária e por isso legítima. Penso o mesmo relativamente às instituições que dão nome às suas sedes ou mesmo a espaços dessas mesmas sedes. As propostas devem ser bem fundamentadas, bem documentadas e objecto de ampla e transparente discussão em assembleia-geral e os nomes só perpetuados quando tenham merecido a aprovação de uma maioria bastante concludente dos associados existentes. Assembleias-gerais, com reduzido número de associados, embora de funcionamento legal e, por isso, cujas deliberações serão legítimas, aprovarem propostas desse género, não honram, antes pelo contrário, os nomes propostos. Daí que, embora por um lado seja admissível que as pessoas deveriam ser homenageadas em vida, avaliando os prós e os contras, entendo que tal discussão pode provocar melindres e, pelas mais diversas razões, muitos associados podem sentir constrangimentos em discutir propostas do género. Há ainda a hipótese de o homenageado vivo vir, por qualquer motivo, a desiludir, a frustrar, a provocar arrependimento naqueles que foram os autores da homenagem. Não sendo propriamente um admirador do presidente da SAD portista, Pinto da Costa, tiro-lhe o meu chapéu por não ter aceitado que dessem o seu nome, em vida, ao Estádio do Dragão. Se alguns o acham grande, o seu gesto tornou-o ainda muito maior e ajudou a perceber quanto pigmeus são alguns que têm o seu nome por aí escarrapachado em placas.

Vem este arrazoado a propósito do nome dado a duas ruas de duas cidades, perpetuando o nome de duas mulheres, cujo feito conhecido foi morrerem às mãos de maridos assassinos. Essas mulheres e muitas outras que sofrem de violência doméstica devem merecer-nos todo o respeito e todos devemos, à medida das nossas possibilidades, ajudar a combater tão hediondos crimes. Mas será que é dando o nome das vítimas a ruas ou avenidas que se contribuirá de alguma forma para resolver o problema?! Se formos por esse caminho, acabar-se-ão as dificuldades na toponímia das aldeias, vilas e cidades. É bom, no entanto, não esquecer os maridos envenenados e todos quantos neste país morrem vítimas de violência doméstica, nomeadamente pais às mãos de filhos e vice-versa. Com o máximo respeito, repito, por quem sofre, por quem é vítima de qualquer espécie de violência, penso que heroificar-se alguém que apenas teve a infelicidade de arranjar um mau companheiro, mas não se lhe conhecem méritos dignos de realce, não será o mais acertado. Melhor seria considerá-lo mártir e a Igreja tratar do resto.

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Contrariando aquilo que disse François Fénelon: “Foge do elogio, mas tenta merecê-lo”, quem presta atenção ao que lê e ouve por aí dá conta da distribuição de esquizofrénicos elogios, de hiperbólicos auto-elogios, sem que se consigam vislumbrar quaisquer merecimentos, num afã de se exibirem, prenunciando a indómita e presunçosa vontade de se arranjar um qualquer poleiro, ainda que ao nível do rés-do-chão, numa lista para as eleições que se avizinham. “Presunção e água benta, cada um toma a que quer.” Tenho de reconhecer que neste País onde reina a mediocridade, em que a obliquidade vence a verticalidade, o chico-espertismo vence a seriedade, o carneirismo vence a frontalidade, muitos conseguem os seus objectivos, adicionando-se a outros contributos para que se não acredite na política, nos políticos e, por este andar, no próprio homem.

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Todos sabemos que muitos reformados, e não só – obviamente excluem-se os que têm reformas milionárias – têm grandes dificuldades em pagar os remédios e alguns até já os pagam a prestações. Os remédios e muitas outras coisas. É uma verdade indesmentível. Só que pretender fazer crer que esse é um mal recente, criado pelo governo actual, é não só uma falsa questão como revelador de pouca seriedade da parte de quem faz tais afirmações. Sem esquecer que há milhares de reformas miseráveis, é bom não esquecer também que elas têm subido anualmente, exceptuando no tempo de Ferreira Leite e os remédios não terão subido na mesma proporção, antes pelo contrário, segundo a indústria farmacêutica. Significa isto, e ninguém o pode contestar, que muitos reformados têm de facto enormes dificuldades para pagar os remédios, mas não têm mais do que há 3, 4, 5, 6, 7, anos. O que não quer dizer que não se deva lutar por melhorar as reformas mais baixas e atribuir maiores comparticipações nos medicamentos. Que eles não estão bem, tal como muitos de nós, é uma verdade irrefutável, mas não deve empurrar a seringa para o rabo dos outros quem dela também precisa no seu.

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Thursday, September 25, 2008

Pontos de Vista … 16

Para além da grave crise financeira que atravessa o planeta, não nos deixando à margem, o que não seria mau, já que em tantos aspectos temos ficado nela, quando nos interessaria o contrário, outro tema se mantém na ordem do dia, no nosso país e que tem a ver com a quantidade de crimes que se vêm perpetrando, provocando nos cidadãos um clima de insegurança. Quase toda a gente anda preocupada e se debruça, opina sobre o tema. E tem razão. Só que, de acordo com o meu ponto de vista, nem todas as reflexões são isentas, sérias, pois são feitas de acordo com interesses partidários. Outras são feitas levianamente, retirando conclusões baseadas apenas mais naquilo que parece do que naquilo que é. Alguns “opinion makers” entendem que bastaria o aumento de efectivos policiais para que tal drama – efectivamente de um drama se trata – se resolvesse. É óbvio que não. Para não insistir exactamente nas mesmas conclusões a que tenho chegado, e que mantenho, vou pairar, o que também não é novo nas minhas reflexões, sobre a ligação entre a forma de actuar a justiça e a criminalidade. Claro que o faço na perspectiva de alguém que não tem formação jurídica, como acontece com a maioria dos meus concidadãos, mas que também pensa. E sendo muito provavelmente o meu raciocínio equivalente ao da maioria das pessoas, de acordo com o que atrás referi, poderá até ser mais facilmente entendido. Mas antes disso, deixe-me dizer que as forças policiais, todas elas, têm feito um esforço enorme, um trabalho notável, merecedor de todos os encómios, apesar das suas diversas exiguidades. Apesar disso e das frustrações que todos os dias sofrem por força de verem a justiça a desvalorizar, a não dar a sequência que era suposto dar ao resultado do seu trabalho exaustivo, paciente, rigoroso, perigoso. Aqui é que reside o busílis da questão. O que a comunicação social nos tem transmitido, nos últimos tempos, relativamente a decisões de juízes perante alegados criminosos dos mais violentos, é realmente de deixar os agentes policiais que procederam às averiguações e detenções com os cabelos em pé e sem vontade de exercer o seu múnus com o arreganho, o empenho, a dedicação, a coragem com que o têm feito para nos dar um pouco de tranquilidade a todos. Realmente, ou por culpa da legislação – já atrás disse que não tenho formação jurídica – ou por, sei lá se por medo, se por incompetência, se por interpretação mais liberal da referida legislação, alguns juízes põem na rua alegados criminosos ou mesmo criminosos, porque alguns foram detidos em flagrante, que chocam o comum dos cidadãos e transmitem-lhes tanta insegurança como os próprios crimes, em si. As pessoas ficam inseguras e nem sequer entendem. A comunicação social pode, hipoteticamente, ter algumas “culpas no cartório”, pela forma como divulga as notícias e, sobretudo, como as titula. Quando um cidadão recebe a informação de que alguém alvejou outro alguém na própria esquadra da polícia, quando alguém é apanhado em flagrante a assaltar um posto de combustíveis e dispara sobre pessoas, quando um gang é apanhado, rotulado de altamente perigoso e os seus elementos são presentes a um magistrado, o que o tal cidadão comum espera é que fiquem em prisão preventiva, o mais rapidamente possível sejam julgados e, de acordo com os crimes comprovados, sejam exemplarmente punidos. E, se assim acontecesse, certamente os crimes diminuiriam e as pessoas libertavam-se desse sentimento doentio de insegurança que, para além doutras consequências, provoca mazelas físicas e sobretudo anímicas mais do que quaisquer outras maleitas. O que nós verificamos é exactamente o contrário. Ou a informação é incorrecta ou temos indivíduos altamente perigosos, responsáveis por crimes violentos, a rirem-se de nós todos, sobretudo dos que os investigaram e detiveram, sendo mesmo um perigo real para esses, a passearem-se nas ruas, com apresentações periódicas, cometendo mais umas irregularidades pelo meio ou mesmo fugindo para o estrangeiro. Se até há uma presidente de câmara, fogosa, aperaltada, de bom ar, com fama de boa samaritana para o grupo de futebol local e outras instituições que fazia o favor de amadrinhar para mais facilmente recolher os votos necessários à sua manutenção no poder, que foge para não ser presa e, ao que se saiba, nem sequer é julgada por esse crime, nem tão pouco tendo sida detida quando, concertadamente, decidiu aparecer em triunfo,… bom, como nos poderíamos admirar de alguns desses tidos por “lobos ferozes” dessem “às de Vila Diogo”! Portanto, meu amigo, o meu ponto de vista é que o grave problema da criminalidade em Portugal tem muito mais a ver com a justiça do que com a polícia. E digo-lhe mais: penso até que também outros ministérios têm uma palavra a dizer sobre o assunto. È absolutamente imperioso saber exactamente os estrangeiros que estão no nosso país, onde estão, o que fazem, de onde vieram, que registo criminal ostentam. É óbvio que não pretendo imputar todos os crimes mais graves aos estrangeiros. Nada disso. Sabe-se que muitos cidadãos de outros países são exemplares, como muitos portugueses são facínoras, mas se nós já somos couto dos nossos próprios criminosos é bom evitar que o sejamos também de outros que para cá vêm, se calhar, fugindo à justiça dos seus próprios países, acolhendo-se à sombra da benévola e retardada justiça indígena.

Paulo Portas, continuando a julgar-se representante de muita gente e com o seu espírito verdadeiramente narcisista, deu em desafiar Sócrates por tudo e por nada, na tentativa de não se deixar afogar no mar alteroso que ele por vontade ou culpa própria navega. Mas também me parece que está na moda lançar desafios. Claro que os políticos que fazem este tipo de desafios, sobretudo fora de épocas eleitorais, sabem que eles nunca são aceites e nem sequer eles os desejam. E ainda bem que assim é, senão lá iríamos ter mais umas horas de ataques pessoais e nada de discussão séria de políticas que interessem aos portugueses. É apenas a vontade de mais uns minutos nos ecrãs de televisão ou nas ondas da rádio e umas linhas nos jornais que os leva a tais dislates. Sabe que mais, não por querer ter os meus minutos de fama, que já tive a minha parte, nem para discutir assuntos abstractos, mas para discutir problemas concretos de Portugal e dos portugueses que todos conhecem, menos uma grande parte dos políticos, também me apetecia a desafiar alguns deles. Sei que seria utópico da minha parte pensar nisso. Tenho aqui o meu fórum onde posso expandir os meus pontos de vista e faço-o em qualquer outro, sempre que tenho oportunidade disso, julgando assim estar a cumprir, como em muitos outros aspectos da minha vida, o meu dever de cidadania.

Diz-nos a comunicação social que o transporte dos 230 deputados da residência oficial para a Assembleia da República, local de trabalho, vai custar este ano aos cofres públicos, que é como quem diz aos bolsos de todos nós, mais de 3,26 milhões de euros, o equivalente, em moeda antiga, a 650 mil contos. Certamente que isto, principalmente para aqueles trabalhadores que gastam uma parte muito significativa do seu magro salário em transportes, há-de parecer uma enorme injustiça. Mas nós temos ainda outros parâmetros para analisar a injustiça: o subsídio de transporte dos parlamentares sofreu uma actualização de 2,63 por cento – superior à inflação prevista para este ano, de 2,1 por cento, que serviu de base aos aumentos salariais. Você ouviu algum dos seus representantes no Parlamento, aqueles em quem você votou, reclamar disso? Claro que não. Você também gostaria de ter subsídio de transporte, não é verdade?! Mas você que dá o coiro a trabalhar todos os dias, sem o absentismo vergonhoso de muitos deputados, que é obrigado a sair de casa de madrugada e regressar já noite, sem muitas vezes poder sequer dar um beijo aos filhos, sem lhes ver um sorriso ou uma traquinice, para falar num regionalismo escorreito, não recebe nem a “ponta de um corno”. Os transportes comem-lhe o salário, salário que, ano após ano, vai emagrecendo, porque, ou nem sequer é actualizado ou sobe menos do que a inflação. Mas espere aí pelas próximas campanhas eleitorais que se avizinham e vai ver como eles são pródigos em beijinhos e abraços e se vão derreter em promessas de cuidar dos seus interesses. Cuide-se você, porque se está à espera deles não vai longe.

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Tuesday, September 9, 2008

Pontos de Vista…14

     

Paulo Portas perdeu completamente a vergonha. Em qualquer agremiação com um mínimo de credibilidade, um presidente que escondesse aos seus parceiros, durante um ano, a demissão de um seu vice-presidente, só mereceria, e possivelmente seria o que aconteceria, um desfecho: olho da rua. No CDS, pelos vistos, não será assim. Alguns companheiros de Conselho Directivo até acham que Portas, com a sua traição – para mim, independentemente das desculpas, é traição -  o fez no interesse do partido e até, ao assumir o erro e desculpar-se, mostrou que é um “bom menino”.  Paupérrimos políticos e pouco sérios. Que confiança é que Portas demonstrou ter nos seus companheiros?! E eles não se sentem?! Diz o povo que “quem não se sente, não é filho de boa gente” e eu acredito. Se Portas tinha interesse
em manter Nobre Guedes no Conselho, porque é que, unido aos seus companheiros, não faziam esse esforço?! Será esta a democracia que Paulo Portas defende, a de um presidente de uma instituição decidir sozinho, escondendo decisões aos seus colegas? E porque seria? Certamente para, em caso de sucesso, recolher, sozinho, os louros de tal empreendimento. Portas e CDS confundem-se, mais propriamente o CDS é de um homem só, servido por um pequeno grupo de reverentes vassalos. Um partido assim, segundo o meu ponto de vista, está condenado ao insucesso. Sem menosprezar a inteligência, a sagacidade política de Paulo Portas, que são sobejamente reconhecidas, parece-me que, com ele ao leme, o CDS não irá longe, o que parece um paradoxo, pois para além de inteligente e sagaz, ele é demagogo, populista, qualidades que normalmente rendem votos. Quem sabe se isso não significa que os portugueses não têm a memória tão curta como normalmente se afirma? Como é que Portas, com tantos telhados de vidro ainda se consegue julgar – sim, porque ele julga – um exemplo de moral, de bons costumes, de boas práticas?

O líder centrista só se aguentará, no meu ponto de vista, porque tem a seu lado, meia dúzia que precisam dele para se manterem na política, porque se merecem, e mais, porque muito provavelmente os partidos que normalmente ocupam o poder, ou seja PS e PSD, o apoiarão, ainda que dissimuladamente, para ele se manter ao leme do partido, porque Portas é muito mais nefasto fora dele, nomeadamente como jornalista, do que como político. A força do jornalista está na pena ou na voz, sobretudo quando elas são venenosas como as do presidente do CDS. A força do político está muito mais na força dos votos que o apoiem e que Portas não tem do que na força das sua voz ou das suas ideias. Cada vez mais o CDS é Paulo Portas. Apenas.

Manuela Ferreira Leite, quebrando o silêncio, e tal como se esperava, abriu a boca e falou. Atacou a Comunicação Social – o bode expiatório dos fracassos de muitos políticos – mas não prescindiu dela e nem irá prescindir. Seria interessante, depois de ouvi-la falar do controlo dos “media”, que algum jornalista lhe perguntasse o que pensava do que se passa na Madeira, a esse propósito, com o seu colega de partido, Alberto João Jardim. E poderia perguntar mesmo se estava esquecida dos tempos em que fez parte dos governos, nomeadamente com Cavaco Silva. Por falar dos tempos em que esteve no governo, seria bom que Manuela Ferreira Leite tivesse a noção de que nem todos portugueses têm a memória curta e por isso recordam-se e bem de que muitas das acusações que fez ao actual governo, ela e seus pares, quando detiveram o poder, fizeram exactamente igual. É o mesmo problema de memória que referia atrás relativamente a Paulo Portas. Parece-me que os políticos, de todos os partidos, sobretudo os que se vão revezando no poder, têm que ter mais atenção ao que dizem para não serem confrontados com as suas contradições. Mesmo a dama tida por serena, nada atreita a linguagem prolixa e bombástica, mais séria, em política, quando se pensa em conquistar o poder, não deixa de ser exactamente igual a todos os outros. Falando muitas ou poucas vezes. Não apresentar alternativas também não é privilégio de Manuela Ferreira Leite. Como qualquer outro político, dizer que fará o oposto do governo, é linguagem trivial. Afinal a líder laranja não traz novidade nenhuma à política. É pena, mas, sinceramente, eu também não o esperava.

O INEM, pelas piores razões e algumas que têm a ver com vidas humanas, continua a “andar nas bocas do mundo”. Desde que o INEM foi criado, sempre foi público – correspondendo à verdade ou não – que a Instituição, ao contrário de outras, com funções de igual relevo, lidava com muito dinheiro, isto é, não tinha quaisquer dificuldades económicas para a resolução dos seus problemas. Pelos vistos a abastança continua, ao ponto de se fazerem contratações milionárias para fazer assessorias à presidência, com profissionais já a desempenharem essas funções. É pena ser assim e não haver dinheiro para aumentar o preço do quilómetro às ambulâncias dos bombeiros, que têm de continuar a pedir para não pararem de desempenhar esse serviço social de enorme valia que, sobretudo os que vivem nos meios rurais mais pobres dão o verdadeiro valor. Apesar da proclamada fartura de dinheiro para, provavelmente “tachos” para amigos ou incondicionais, indefectíveis servidores, há várias ambulâncias da instituição, em corpos de bombeiros a sul do Tejo, avariadas que não são arranjadas, ao que dizem, por falta de dinheiro, como também há prémios de serviço que estão por pagar a bombeiros desde Fevereiro. Inconcebível, não acha?

E já agora, o que fará uma engenheira florestal no INEM?

Ninguém, de sã consciência, negará que Vítor Baía foi um excelente guarda-redes, mesmo um dos melhores que Portugal teve. O facto de ter muitos ou poucos títulos não diz tudo, porque há excelentes jogadores que por diversas razões, inclusive pelos clubes que representaram, não têm nem grandes nem muitos títulos no currículo. Dou apenas dois exemplos: há jogadores de futebol bem menos importantes que o foram Rui Costa e João Pinto que amealharam mais títulos. Bom, mas Vítor Baía, para além da sua inegável categoria, ainda se pode dar ao luxo de exibir os títulos. Ele poderia muito bem ter servido a selecção nacional no Euro 2004. Certamente muitos e eu próprio achamos que sim. Mas tal como Baía, vários outros atletas, jogando noutras posições, poderiam, em seu entender e de muito boa gente, ter sido chamados à selecção de todos nós. É legítimo. Nem todos concordarão com os actuais seleccionados por Carlos Queirós. Em vez de dois, três ou quatro deles, poderiam ter sido substituídos por outros dois, três ou quatro. Sempre assim será. O que Vítor Baía, nem qualquer outro jogador, tem é legitimidade para afirmar que o seleccionador lhe devia uma satisfação, por não o convocar. Era só o que faltava, o seleccionador andar a dar justificações a todos os atletas que se julgassem com capacidade para representar a selecção! Seriam, inevitavelmente, dezenas deles e, nem sequer tenho dúvidas de que alguns desempenhariam bem o seu papel. Temos todos que meter na cabeça que a responsabilidade de escolher é só de um e nem pode ser de outra maneira. Carlos Queirós, decidiu não convocar Ricardo – muitos já se esqueceram das coisas boas que fez -  para a baliza de Portugal. È a sua maneira de ver. Goste-se ou não, ele tem que trabalhar com aqueles que julga em melhores condições. Ricardo poderá estar triste por não ter merecido a confiança de Queirós, como outros o estarão, mas nem ele nem qualquer outro têm legitimidade para exigir que o seleccionador se justifique. Vítor Baía, a quem o futebol português muito deve e lhe deve estar grato, não deveria ter enveredado por exigir aquilo para que não tinha qualquer legitimidade. É pena. E se Scolari, agora que está fora da selecção, decidiu, dizer porque razão não escolhera Baia, não se pode depreender que isso signifique cobardia. Para tudo há um tempo próprio, até para justificar qualquer coisa. Ao leme da selecção, o pior que Scolari faria era dar justificações aos atletas, quaisquer que eles fossem, sobre as suas escolhas.

E já que estamos a falar de futebol, é lamentável que os dirigentes dos clubes continuem a gastar dinheiro graúdo na aquisição de jogadores tão levianamente. Na época passada, o Benfica adquiriu Makukula pata reforçar o seu ataque. Agora nem o dispensou, nem o incluiu no lote dos que vão disputar a Taça UEFA. O Benfica parece querer transformar-se na Santa Casa da Misericórdia: mantém Mantorras, praticamente sem qualquer utilidade, como mantém alguns técnicos que não se sabe bem o que fazem. E não ganham o salário mínimo. É o que temos.

Mais do que fruto da assustadora e altamente mediatizada criminalidade violenta, continuamos a ser vítimas de outros crimes, digo eu, ainda que muitos não os considerem como tal: as piscinas continuam a matar crianças inocentes, continuam a desabar prédios, a morrer trabalhadores na construção civil, a morrer-se nas estradas. Em todo o mundo há gente que morre assim. Mas para um país dito civilizado é demais. Quando é que Portugal terá uma verdadeira política de segurança em todas as vertentes?

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Monday, August 25, 2008

Pontos de Vista…12

     

Em Maio de 2007, dizia eu que viver neste país me fazia parecer que vivia num circo. Nessa reflexão socorria-me daquela que eu considero ser a figura central do circo, o palhaço, para justificar tal sensação. É que as palhaçadas, que nada têm a ver com o trabalho digno de tais profissionais, que tantas vezes têm mais vontade de chorar do que rir, mas não o espelham para nos fazerem sorrir e, sobretudo, fazerem felizes as crianças, as palhaçadas, dizia eu, eram tantas, como tantos eram os seus autores que, de facto, nos faziam ter a sensação de vivermos no interior de um circo. Era assim nessa altura e daí para cá o que mudou foi para pior. O circo continua instalado, os arremedos de palhaços são mais que muitos, só que o circo está mais perigoso. Agora abundam, entre outros artistas, atiradores, que, ao contrário dos do circo, que nunca acertam nas pessoas, estes acertam mesmo e até fazem buracos no corpo, corpo que de vez em quando “vai para os anjinhos”, não sei se com a alma agarrada, se esta fica por aí a apoquentar aqueles que acreditam em almas penadas. Estes “palhaços” especiais foram-me trazidos de novo à memória, por mais uma tirada imbecil, imprópria de um advogado, sobretudo porque dita num tribunal, embora numa pausa do julgamento, de José Maria Martins. Não é que, vindo dele, possamos estranhar muito, já que nos habituou a várias afirmações de pouco senso. Pois o advogado, que até acreditou e se vangloriou que havia sido convidado para ser um dos que haveriam de defender Saddam Hussein, não teve qualquer pejo em chamar “palhaço” ao seu colega, embora adversário no litígio, João Pedroso. Se isto não é um circo com “palhaços”, sem narizes vermelhos, batatudos, mas de línguas afiadas, não sei o que é um circo. De acordo com qualquer dicionário, “ridículo” é o que desperta riso ou escárnio. A diferença é que os palhaços a sério, maltrapilhos, de roupas largas e coloridas, sapatos enormes de voz esganiçada e pronúncia “portuganhol”, que vivem no circo real, provocam-nos o riso saudável, momentos de boa disposição, simpatia; os arremedos de “palhaços” que vivem neste circo virtual que é o nosso país, de fato e gravata de marca, bem calçados, bem falantes, quando não deitam “bacoradas” pela boca fora, provocam-nos antipatia, escárnio, nojo.

No circo, perdão, nos Jogos Olímpicos de Pequim, também alguns atletas portugueses, com algumas das suas afirmações, fizeram figura de palhaços. Valeram-nos os medalhados Nelson Évora e Vanessa Fernandes e mais alguns que, não obstante não terem conseguido qualquer medalha, deram o melhor de si e não justificaram os inêxitos com parvoíces. É de gente dessa, que “dá o litro” e não arranja desculpas esfarrapadas para justificar tudo o que corre menos bem, que o nosso país precisa. Parabéns e obrigado pela alegria que me destes.

Disse Jean de
la Bruyère: “ Há algo no mundo que é ainda mais raro do que os brilhantes e as pérolas: o bom juízo”. De facto ele anda arredio de muita gente.

Para dar mais vida a este “circo” apareceram agora alguns “artistas” do PSD, habitualmente fazendo papel de mudos, mas espicaçados por alguns companheiros, puseram-se aos berros, mais para serem ouvidos pelos ditos companheiros, do que por qualquer outra razão, pedindo a demissão do Ministro da Administração Interna por via da criminalidade violenta que, verdade seja dita, nos apoquenta, como que se isso, como num número de circo, resolvesse o problema. Não, não é por aí. E o PSD, como partido vocacionado para governar, sabe-o. Se não sabe, é pena, era suposto que soubesse. O mais triste, no meio desta gritaria que de repente se levantou, é o partido não apresentar uma alternativa, uma sugestão para tal combate. Bom, não a apresenta porque a não tem. Aliás, infelizmente, não é fácil. Sempre que se fala em criminalidade, violenta ou não, é inevitável falar-se de polícia. E ouve-se agora, com frequência, falar em polícia de proximidade. Porventura ajudará a minorar o problema, mas quem teve a ideia de acabar com tal sistema policial, criando super esquadras, foi um ministro do PSD, e não foi por isso que deixou de ser um bom ministro, nomeadamente no que se refere à problemática dos bombeiros e de seu nome Dias Loureiro. Aliás, devo confessar que, em meu entender, foi de todos os Ministros da Administração Interna o primeiro que dialogou empenhadamente e com seriedade com os bombeiros. Já bastante tempo depois de ter deixado de ser ministro, a Liga dos Bombeiros Portugueses atribui-lhe o Crachá de Ouro e bem o mereceu.

Mas voltemos “à vaca fria”. Não me canso de repetir, porque esse é o meu ponto de vista, que a criminalidade violenta tem muito menos a ver com a quantidade de polícias na rua do que com outra série de factores, até porque, ao que se sabe, e de acordo com um estudo da Organização das Nações Unidas, Portugal está em sétimo lugar da tabela dos países com maior número de polícias por mil habitantes, a nível global e o segundo da União Europeia, 4,7 polícias por mil habitantes. O problema não passa tanto pelo número de polícias, como pelas funções que exercem, onde, em que circunstâncias, com que armas, com que poderes. A culpa poderá ser seguramente do Ministério da Administração Interna. Poderá, mas tem, indubitavelmente, de ser repartida por uma gama de políticos, alguns da oposição e agentes da justiça. Pedir a demissão do ministro é um mero “fait-divers”, é pura e simplesmente baixa e medíocre política partidária, sem ter minimamente em vista a resolução do problema. Então a responsabilidade dos políticos que fizeram, ou não, as leis?! E a responsabilidade dos magistrados que põem na rua criminosos como aqueles dois que foram apanhados em flagrante delito, na Mealhada, que dispararam tiros numa estação de abastecimento de combustíveis, roubaram dinheiro, resistiram à detenção e um deles até tem ordem de expulsão de Portugal, por estar ilegal? Quem age dessa forma, mantendo tais indivíduos em liberdade, apenas com Termo de Identidade e Residência, também tem responsabilidades no aumento da criminalidade. E neste caso concreto nem sequer se pode escudar no Código do Processo Penal, que não tem qualquer culpa. Atitudes destas, permissivas, facilitadoras da vida aos criminosos é que criam um clima de insegurança nos cidadãos, aumentam a falta de confiança na justiça, desmotivam as forças policiais porque desvalorizam o seu trabalho, inclusive, expondo-as, enfraquecendo-as perante os criminosos. Dando força aos criminosos, depreciando o trabalho das polícias, isso sim, contribui e muito para o aumento da criminalidade. Não me digam que isso é culpa do Ministro da Administração Interna?

Criminalidade violenta, temos nós nas nossas estradas. Sem armas de fogo, mas com uma outra arma não menos letal, todos os dias, condutores criminosos ceifam vidas inocentes e a sua própria. Sabemos que a presença da polícia tem um efeito preventivo, dissuasor, mas também sabemos que a principal causa de mortalidade nas nossas estradas passa pela falta de civismo, de educação de muitos dos nossos condutores. Também aí, o Ministro da Administração Interna pode ter algumas responsabilidades, mas porque não reparti-las com outros ministros, digamos até da educação, de governos anteriores, pois a educação dos condutores de hoje tem a ver com políticas de outrora?

De facto, a demissão de ministros não resolve qualquer problema, deste género, pelo menos. O que é preciso é que todos nos empenhemos, políticos em primeiro lugar, em busca de soluções e todos contribuamos, cada um a seu modo e da melhor maneira que souber e puder, para o combate ao crime. Olhe, por exemplo, há um gesto simples que muitos condutores executam, que é o sinal de luzes, alertando, os que circulam em sentido inverso, da presença da polícia, dando assim a possibilidade de fuga a hipotéticos criminosos e defraudando a acção da autoridade. E depois todos nos queixamos. De mim nunca esperem um sinal desses. Como vê, meu amigo, todos pudemos fazer algo em prol da caça aos criminosos, ainda que seja não fazer nada, como é o caso dos sinais de luzes. Evite fazê-lo. Ao invés de prejudicar as autoridades policiais, colabore. Você sabe que há outras formas de colaborar, tendo todos os sentidos bem despertos para o que se passa à sua volta e sem cair no pecadilho de ser delator, deixe-se de ser comodista, deixe-se de desculpas que tem de ir à polícia ou ao tribunal uma série de vezes, o que realmente é verdade e aborrece, mas tenha paciência, é por si, por mim, por todos, não finja que não viu, que não ouviu. Seja cidadão de corpo inteiro. Colabore no combate ao crime, colabore nas investigações. Ajudando-as, está a proteger-se.

Ah, por favor, já agora, quando chamar a policia que não seja para a agredir.

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Monday, August 11, 2008

Pontos de Vista…10

      Nesta espécie de diálogo que, periodicamente, vou mantendo consigo, sim, espécie de diálogo, porque recebo o feedback de várias pessoas, que vão lendo ou ouvindo e respondendo solitariamente: “sim, é isso”; “é mesmo assim”; “ concordo”, etc. Claro que também imagino que tenha outras respostas do género: “não é nada disso”; estás enganado”, e outras expressões porventura menos simpáticas. De qualquer forma, já que estou a falar nisto, deixem-me aproveitar a oportunidade para agradecer igualmente a uns e a outros, aos que concordam sempre ou quase sempre comigo e aos que poucas vezes ou nunca concordam, porque uns e outros são importantes. Uns e outros me estimulam. Uns, porque ninguém é insensível às palavras gentis, benévolas talvez, sobretudo se temos a certeza de que não são hipócritas. Outros, porque a unanimidade de opiniões nos deve deixar, sempre, de pé atrás, e porque me sentiria frustrado se as minhas palavras não provocassem, nunca, alguma discordância. Quem normalmente busca, com as palavras, “agradar a gregos e troianos”, são os candidatos a lugares políticos, o que no meu caso pessoal está fora de questão. Mais importante do que conseguir unanimidade de opiniões é proporcionar alguma reflexão. Isso é que me move. Bom, mas ia eu a dizer e com esta deambulação me ia esquecendo, que pretendo, hoje, nesta tal espécie de diálogo, debruçar-me sobre três temas: os Jogos Olímpicos, O assalto à agencia bancária de Campolide, perpetrada por dois jovens e a sinistralidade rodoviária. Veremos se, como acontece frequentemente nas estradas portuguesas, não me perco e vou, por outras vias, estacionar noutras paragens. Vamos lá. Estão em curso os Jogos Olímpicos de Pequim, depois de um espectáculo grandioso, na abertura, em que, como alguém disse, o mundo parecia perfeito. Embora bonito, de prender os olhos e o espírito, tal espectáculo magoava-me. Sentia como que uma espécie de ferida dentro de mim. Não me conformava que o Mundo, como sempre, seja tão tolerante com os fortes e tão agressivo com os fracos. Só assim foi possível aceitar que a um país em que se não respeitam os direitos humanos de forma tão evidente, porque há outros que tidos como paradigma das mais amplas liberdades, também atentam contra tais direitos, embora de forma mais dissimulada, se haja permitido tal realização. Devo confessar que não resisti à revolta, certamente não exclusivamente contra a China, muito menos contra o povo chinês, mas contra todos quantos, nos mais diversos países do mundo, inclusive o nosso, atentam contra os direitos humanos e desliguei. Por isso e pela hipocrisia política, sobretudo daqueles que são responsáveis pelas grandes decisões mundiais, com a sua corte de lacaios e bobos atrás. Estava eu invadido por essa revolta, por essa indignação, quando dei por mim a interrogar-me se, de facto, quem tinha razão eram aqueles que, como eu, entendem – ou entendiam?, já nem sei bem – que o mais correcto, o que teria resultado mais positivo na procura de incentivar, ajudar os chineses na conquista da liberdade e garantia dos direitos humanos, seria a não realização dos Jogos Olímpicos de Pequim ou, pelo contrário, a efectivação de tal evento na capital chinesa, com o seu enorme mediatismo que iria permitir mostrar ao mundo a realidade do país, apesar das muitas restrições à movimentação de jornalistas e órgãos de comunicação social, contribuiria melhor para atingir tal desiderato. Como não tenho quaisquer preconceitos relativamente a fidelizar ou não as minhas ideias, não me repugnando nada mudá-las, quando entender que a minha inteligência, o meu raciocínio, o meu grau de conhecimentos me levaram a isso, não estando certo de qual teria sido a melhor resolução – a realização dos Jogos ou não – confesso a minha dúvida e vou observando quando e como posso, aguardando pelas medalhas lusas, na expectativa de que não voltemos aos tempos em que, no futebol, ganhávamos moralmente, já que as derrotas eram sempre da culpa de terceiros. A frase da nossa Telma Monteiro, que tem inegável valor, afirmando “lutei contra os árbitros” trouxe-me esses tempos e essas desculpas à memória.
Destes Jogos não posso deixar de registar aquele abraço entre duas atletas, uma georgiana e outra russa. Que belo exemplo para os responsáveis políticos dos seus países. Para isto também servem os Jogos Olímpicos.
O assalto a um banco em Campolide, Lisboa, perpetrado por dois jovens, ao que parece sem cadastro, mas que podem não ser tão inocentes assim, já que o aparecimento de dinheiro, objectos e a revelação de outros elementos com eles relacionados, pode ligá-los a outros crimes sem autores ainda identificados, seria apenas mais um assalto se não tivesse havido uma intervenção em tempo oportuno da polícia, que, não obstante os seus méritos, terá beneficiado do sangue frio dos funcionários que, intencionalmente, retardaram a abertura do cofre forte. Assalto com sequestro, com aparatoso cerco policial, forçosamente haveria de ficar, de imediato, fortemente mediatizado. O país assistiu praticamente em directo a todas as peripécias. Amarrou-se, tanto quanto pôde, principalmente aos canais de televisão. Não admira: eram vidas humanas - as dos reféns, inocentes – que ali estavam em jogo. E os portugueses – não sei se os outros povos também – têm uma apetência enorme para a observação de tudo quanto possa representar tragédia, que, felizmente, foi muito menor do que aquilo que poderia ter sido, embora maior do que o que era desejável. De qualquer forma, parece-me que a actuação da polícia não merece reparo, mesmo que nem tudo tenha saído perfeito e, a esse respeito, já foram tecidas as mais diversas loas. Aqueles que, à hora certa, sintonizavam o canal certo, a gosto ou contragosto, tiveram oportunidade de assistir, em directo, à resolução do problema que durava há mais de oito horas, em escassos segundos.
Sobre tal matéria apetece-me reflectir sobre o espectáculo que sempre se monta em semelhantes situações. A palavra “espectáculo” pode ser chocante, mas não se me oferece outra melhor, até porque não a utilizo com qualquer sentido depreciativo. Depois da tragédia de Entre-os-Rios que levou àquela mediatização de que todos nos recordamos, com excessos, defeitos, mas também com algumas virtudes, várias foram as entidades e personalidades que se debruçaram sobre a cobertura mediática de eventos que envolvam tragédias ou acções musculadas de forças de segurança ou socorro. Temos de convir que alguns comportamentos mudaram para melhor. Todavia, parece-me que há necessidade de discutir o problema com mais profundidade. Sem atentar contra a liberdade de comunicar, de informar, mas preservando o sigilo, a segurança de pessoas e das operações que têm de ser realizadas, interrogo-me se, no caso da acção levada a cabo para neutralizar os assaltantes e sequestradores do BES e libertação dos reféns, o perímetro de segurança não deveria ter sido mais alargado, colocando mais à distância mirones e órgãos de comunicação social. Por aquilo que vi e ouvi, parece-me, - digo, parece-me, -  que poderiam sair dali informações importantes que, eventualmente, prejudicassem o sucesso da operação. É apenas um ponto de vista.
Quando tudo parecia fazer crer que o comportamento dos portugueses, ao volante, tinha melhorado, eis que somos confrontados com uma série de mortos na estrada, na maioria dos casos, por força de conduções agressivas. Digamos que a “guerra” voltou à estrada. É lamentável. Quando já uma simples condução normal é perigosa, obrigando todos os condutores conscientes a uma condução defensiva, eis que surgem condutores irresponsáveis, autênticos criminosos, fazendo dos seus carros autênticas armas de morte de pessoas inocentes.
Realmente, este mês de Agosto, que ainda nem ao meio chegou, vai trágico, mas por aquilo que se vai vendo, nem admira. Ainda no último domingo fiz uma curta viagem de cerca de 100 quilómetros, digamos, um mero passeio dominical com minha mulher, aqui pelas estradas da região e tivemos oportunidade de assistir aquilo que, felizmente, não observava algum tempo: praticamente todos os carros que comigo se cruzavam vinham em altíssimas velocidades, obrigando-me, algumas vezes, a encostar perigosamente à berma da estrada. Aqueles que se aproximavam da minha viatura, por detrás, muitos deles, ultrapassaram-me em sítios, onde só por sorte não provocaram desastres, apesar de eu sempre facilitar as ultrapassagens a quem o pretende fazer, encostando-me o mais que posso e baixando a velocidade. A conduzir assim, se a condução agressiva, irresponsável fizesse parte dos Jogos Olímpicos, éramos, seguramente, candidatos a uma medalha de ouro.
Quando se sentar ao volante do seu carro, lembre-se que o deve utilizar como algo que lhe oferece melhor qualidade de vida, que lhe deve proporcionar prazer e não como se estivesse com uma metralhadora na mão em campo de guerra.
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