Tuesday, August 19, 2008

Pontos de Vista…11

     

Tenho a sensação que os portugueses andam um pouco alheados dos Jogos Olímpicos e não será própria e exclusivamente fruto dos resultados que não têm sido nada de entusiasmar, antes pelo contrário. Estou de acordo com aquilo que alguém dizia que é de que Portugal está futebolizado, isto é, em termos de desporto, os sentidos, as atenções, viram-se quase exclusivamente para o futebol. Não há uma mentalidade desportiva heterogénea. Nem os governos, nem as autarquias têm uma verdadeira política desportiva. Uns e outros, salvo casos pontuais e raríssimas excepções, as suas políticas não ultrapassam os meros subsídios. Veja-se, como exemplo, entre outros, o que faz a escola pública, em termos de desporto. Umas meras brincadeiras, arremedos de modalidades desportivas e pouco mais. Que diferença para os meus tempos de colégio em que tínhamos autênticos mestres em várias modalidades desportivas e que levaram alguns de nós a serem praticantes destacados em alguns clubes. Recordo, no futebol, o mestre dos mestres, Artur Baeta; no hóquei em patins, o internacional do Infante de Sagres, António Figueiredo; na ginástica o professor Edgar Tamegão; no basquetebol e voleibol, o professor Noronha Feio e por aí fora. Mas voltando aos Jogos Olímpicos, dá-nos a sensação de que só se pensa verdadeiramente neles, de quatro em quatro anos. Repare que, mesmo no futebol, tendo nós, atletas de excelente gabarito, não conseguimos o apuramento para participar em tais jogos. Creio que, para além da tal falta de uma política desportiva que contemple o ensino e prática das diversas modalidades, a partir dos primeiros anos do ensino básico, é a inexistência de ambição e de uma mentalidade ganhadora que sobressaem. Estava eu embrenhado nestes pensamentos, reflectindo nos nossos insucessos e sou confrontado com duas situações absolutamente antagónicas: uma agradável, de certo modo esperada, a conquista da medalha de prata pela Vanessa Fernandes. Não sendo uma surpresa, como surpresa não seria o ouro, numa prova olímpica há tanta gente de grande qualidade e tantas contingências que a eventual não conquista de qualquer medalha, desde que a sua participação fosse ao nível a que nos habituou, teria que se aceitar. Mas Vanessa Fernandes, com a sua humildade, com a sua capacidade de trabalho, com a sua ambição ganhadora, realista, sem arrogância, com o seu espírito de sacrifício, bem à semelhança de seu pai, que lhe soube transmitir esses valores, honrou-se a si própria e ao país. Fica-lhe bem, sobretudo por totalmente justo, oferecer o triunfo ao progenitor. Vanessa Fernandes é o tipo de atleta que pode ser apontado como exemplo a qualquer um. “Per angusta ad augusta” – os grandes êxitos só se alcançam através de grandes dificuldades.

Dizia eu que fui confrontado com duas situações antagónicas. Uma já a referi. A outra tem a ver com afirmações de atletas olímpicos portugueses, alguns cuja passagem só não foi mais discreta por força de afirmações que fizeram. Atrever-me-ei a dizer que alguns mesmo, poucos os conheceriam e só passaram a ser conhecidos, mercê de tais afirmações. Já a Telma Monteiro havia desagradado com a justificação que dera para o seu insucesso e a que me referi na crónica anterior. As afirmações de alguns atletas foram tão imbecis, tão vergonhosas, tão rascas, que essas sim, mais do que as fracas prestações, os devem envergonhar e nos encher a todos de tristeza, por sermos tão mal representados. A palavra, uma vez dita, não volta atrás, por isso é recomendável que se seja prudente no que se diz, principalmente se estamos a falar para a comunicação social. Qualquer classificação, seja em que prova for, será honrosa, ainda que seja o último lugar, desde que o atleta dê o melhor de si. Temos ouvido mais ou menos explicitamente que alguns atletas terão procurado os mínimos para participar nos jogos olímpicos, mais pela ambição de passear do que competir. Não gostaríamos de acreditar nisso, mas as afirmações de alguns não nos deixam grandes margens para dúvidas. Algumas são de tal forma chocantes, ridículas, que não nos deixam acreditar que foram apenas fruto do momento emocional, de ingenuidade ou mesmo de infelicidade. É pena. Terminados os jogos, será altura de fazer uma reflexão muito séria no que concerne à política desportiva, nomeadamente na selecção dos atletas que nos representam. E será mesmo de equacionar o apoio a atletas de mentalidade tão pobre, de personalidade e carácter tão medíocres como alguns dos que estiveram ou estão
em Pequim. E parece-me ainda que, senão todos, pelo menos alguns atletas de alta competição, para além dos seus orientadores técnicos, de acordo com a disciplina que cada um pratica, devem ser acompanhados por profissionais de outras áreas, nomeadamente psicólogos. É um ponto de vista.

Esperemos que os Jogos Olímpicos, mesmo que porventura não nos proporcionem mais nenhuma medalha, não nos ofereçam, pelo menos, mais afirmações infelizes, para não repetir vergonhosas.

Bom, deixemos os jogos e vamos a outro tema.

O povo, mesmo na sua rudeza, na sua iliteracia, tem uma imensa sabedoria. Numa simples expressão diz tanto, - e de forma mais compreensível, - como os chamados cultos, letrados, numa imensidão de palavras, algumas das quais, para as interpretar, é preciso o dicionário na mão. Tem mesmo várias expressões para dizer o mesmo. Veja, por exemplo, “oito ou oitenta”; “no meio é que está a virtude”, “nem tanto ao mar, nem tanto à terra”são expressões populares que podem ser utilizadas para significar mais ou menos a mesma coisa, como seja “não se deve exagerar”. Os crimes, sobretudo os mais violentos, continuam a verificar-se um pouco por aqui e por ali, mas sobretudo nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Já aqui referi o meu ponto de vista a esse respeito. Não podemos aspirar a ter um polícia em cada esquina ou a vigiar cada um de nós. Muitos dos crimes que nos têm chocado foram perpetrados em locais ou horas em que, por mais polícias que houvesse, não seria suposto que aí estivessem. E se porventura estivessem, os mesmos crimes iriam ser, muito provavelmente, cometidos noutro local, a outra hora. Claro que tudo o que se puder fazer para evitar os crimes, o que não põe de parte a força preventiva, dissuasora, da polícia, é óptimo. Mas, sabendo que há muitos crimes que não se podem evitar, temos de fazer com que os criminosos sintam que temos uma investigação rápida e eficiente que os levará às malhas da justiça. E que temos uma justiça célere, servida por leis que permitam aplicar penas proporcionadas aos crimes cometidos. Por vezes pode parecer que me contradigo relativamente à existência quantitativa das forças policiais. Não. Devemos ter as suficientes, nos lugares certos e com a qualidade e especialização adequadas. Nem mais nem menos, “nem oito, nem oitenta”. O que acontece, infelizmente, é que temos algumas zonas em que nem aos oito chegamos, mas temos forças que deveriam preencher esses vazios a cumprir outras tarefas para as quais não estão vocacionadas e não faltava quem as desempenhasse. Dou como exemplo, uma vez mais, os elementos da GNR que estão empenhados nos combates aos incêndios florestais, desnecessariamente, - porque não faltariam bombeiros para desempenhar tal tarefa - deixando as populações não só inseguras, como impossibilitadas de terem, pelo menos atempadamente, uma autoridade a comparecer numa ocorrência. E não me venham com mistificações, que os incêndios combatidos pela GNR, - poucas vezes em primeira intervenção, contrariando a filosofia apregoada para justificar a criação dos grupos em que está integrada – são feitos com mais profissionalismo. Essa é mais uma ofensa, entre tantas, aos bombeiros, porque eles sendo voluntários por opção, são profissionais na acção. Desenvolvem a sua acção com profissionalismo e mais, com paixão que supera, muitas vezes, em resultados, o mero profissionalismo. A paixão, os bombeiros já a possuem, ofereçam-lhes a profissionalização e deixem a GNR fazer o que lhe compete e que ela também faz bem.

Ainda há poucos dias um jornal diário nacional, iniciava uma peça, rezando assim: “Para os concelhos de Cuba, Ferreira do Alentejo e Alvito estão actualmente destacados apenas dois militares da GNR. A situação que se vem a verificar desde o início deste ano, acentuou-se com a chegada dos meses mais quentes. O desfalque de agentes deve-se à integração de diversos militares nos grupos de combate e prevenção a incêndios, ficando assim os dois militares responsáveis pelo patrulhamento dos três concelhos”. Fim de citação. Dois militares para patrulhar três concelhos é verdadeiramente inacreditável!

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Tuesday, July 15, 2008

Pontos de Vista…6

      Num dos meus últimos trabalhos aqui publicados, dizia o seguinte: Clubes procuram acertar suas equipas técnicas e respectivos plantéis. Benfica já apresentou o seu director desportivo: Rui Costa. Que tenha nos gabinetes o mesmo êxito que teve nos relvados, mas não o vejo começar muito bem: contratar Diamantino Miranda, não por ser ele, porque diria o mesmo de qualquer outro, para treinador adjunto, sem conhecer o principal, parece-me um erro crasso. Os adjuntos, em qualquer área, devem ser indivíduos da confiança dos líderes e, se possível, mesmo escolhidos por eles. Aguardemos pelo episódio seguinte que nem sequer estranharia que seja um obstáculo à contratação de novo treinador ou a dispensa de Diamantino. Isto dizia eu então a 19 de Maio passado. 
Se não me congratulo pelos acontecimentos menos felizes, pelo menos não deixo de sentir alguma satisfação por verificar que o meu raciocínio está correcto, a maioria das vezes.
No início da semana transacta a comunicação social dava conta de que Quique Flores dispensava Diamantino dos trabalhos de campo. Imediatamente me lembrei do que tinha escrito e reflecti sobre a irresponsabilidade na gestão de dinheiros das instituições por parte de alguns dirigentes desportivos. De facto estava aí a prova de que Luís Filipe Vieira e Rui Costa não andaram bem com tão apressada contratação. Já no final da mesma semana o Correio da Manhã titula na primeira página: “Quique ameaça demitir-se” e em dois subtítulos o seguinte: “Guerra de adjuntos provoca choque com Rui Costa” e “Técnico espanhol não quer Diamantino nem Chalana nos treinos”. Já no interior o jornal revela que apesar de Rui Costa ter insistido com Quique para aceitar os dois adjuntos, o espanhol manteve-se inflexível e ameaçou demitir-se. Mau prenúncio para as “águias”, acontecimentos que se evitariam facilmente se não falhasse o bom senso em quem não o deve desprezar. Estava certo o meu “ponto de vista”.
A quem também parece que falta bom senso é a alguns elementos, senão todos, do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol. Falta bom senso e independência, o que é muito grave, mas nem sequer se pode estranhar, pois se eles são colocados pelos clubes, a quem é que eles hão fazer os “fretes”. Ou o futebol português muda de rumo muito rapidamente, ou num futuro próximo não seremos mais do que um país exportador de futebolistas. Se a expressão “exportador”, pode estabelecer qualquer conotação com país rico, que infelizmente não somos, melhor é afirmar que também os futebolistas lusos têm que recorrer à emigração.
Quem deixou de ser emigrante e regressou à casa pátria foi Carlos Queirós. Sendo o principal responsável pelas selecções de futebol de todos os escalões etários, se o deixarem trabalhar, poderemos até não obter muitos títulos a curto prazo, mas não tenho quaisquer dúvidas que os resultados aparecerão indubitavelmente, mais cedo ou mais tarde.
Sir Alex Ferguson, o líder carismático do Manchester, a contas com o sai-não-sai de Cristiano Ronaldo, perdido o Carlos Queirós, ao que diz a imprensa, quer Paulo Bento, como adjunto. Ferguson sabe o que quer e o que faz. Para Paulo Bento, pode não ser fácil trocar uma equipa da qual é treinador principal e que vai disputar a Liga dos Campeões, mas com a idade que tem, não lhe faria mal, antes pelo contrário, conhecer um outro mundo do futebol, onde se lhe abririam novos horizontes, para já não falar na parte financeira, que não sendo tudo, é muito importante, sobretudo no tempo em que vivemos. No Sporting, porque é o meu clube ou no Manchester, porque é sempre agradável ver algum português ter sucesso no estrangeiro, que Paulo Bento seja feliz.  
Desde que pouco avisadamente meteram a GNR nos incêndios florestais, empenhando centenas de militares, eu venho levantando a minha voz e utilizando a minha pena, contra tal decisão e justificando o meu ponto de vista, isto é, explicando as razões em que alicerço o meu pensamento. Uma delas não poderia deixar de passar, obviamente, pela falta de patrulhas que se podem verificar por todo o país, com consequências graves, como todos temos tido oportunidade de constatar, infelizmente. Outra passa, pela falta de viaturas para se deslocarem para as mais diversas situações para que são solicitadas. Todavia, os elementos que integram os GIPS, têm viaturas novas, que deveriam ter sido fornecidas aos bombeiros, e que passam parte do ano a não fazer nada ou quase. Basta lermos os jornais para vermos que tudo isto é verdade. Poderia dar-vos muitos exemplos veiculados pela comunicação social que mostram a falta de elementos da GNR e de viaturas naquilo que deve ser a sua função, mas vou apenas reportar-me a uma peça que um diário publicava no último fim-de-semana. Rezava assim: “É a freguesia líder nos casos de carjacking em todo o país durante este ano e, mesmo assim, a GNR de Arcozelo, em Gaia, tem apenas um carro-patrulha Nissan Patrol com dez anos e mais de 268 mil quilómetros que não ultrapassa os setenta quilómetros/hora. Se quisermos fazer uma perseguição isso torna-se impossível porque o carro anda devagar e os travões estão gastos”, disse uma fonte da GNR. Segundo a mesma fonte, ainda usam a pistola Walter de 1962 e não têm acesso a coletes antibala. E mais, à referida GNR compete o patrulhamento das freguesias de Arcozelo, S. Félix da Marinha e Serzedo, cujo quadro é de 32 militares, mas apenas doze fazem serviço na rua. Isto já seria mau, ainda que fosse único, mas, infelizmente é o retrato do país. Dão-se alvíssaras a quem encontrar um Posto ou quartel da GNR que tenha o quadro completo e as viaturas operacionais minimamente suficientes para satisfazer os objectivos para que tal força foi criada.
Já depois deste caso, outros de carjacking aconteceram no país, nomeadamente em Gaia. Todos tivemos oportunidade de ver o que se passou no Bairro da Quinta da Fonte em Loures, o que se vai passando por outros bairros e outras regiões, obviamente, não apenas por défice de policiamento, seja da GNR, seja da polícia, mas muito por culpa disso, também.
E vendo nós todo este estado de coisas, custa a perceber como é que o governo se atreve a prometer cada vez mais GNR nos incêndios, quando o que deveriam fazer era facilitar a semi-profissionalização nos Corpos de Bombeiros Voluntários, que não falta matéria-prima, fazendo diminuir o desemprego, prestando, ao mesmo tempo, melhor serviço à comunidade. Bom, o governo agora até se lembrou de criar uma unidade subaquática na GNR. Essa não lembraria ao diabo, apenas ao governo. Fique atento, meu amigo, e daqui a um ano há-de ver quantas intervenções fizeram.
O policiamento não é precário apenas nas grandes vilas e cidades. Naquilo a que determinados urbanos chamam de província, a que eu orgulhosamente pertenço, há postos de GNR que nem sequer têm qualquer elemento para fazer patrulha ou sair para tomar conta de uma ocorrência, apenas têm funcionamento de secretaria, como há muitos outras terras onde era mais do que justificada a existência de uma força policial e nada existe.
Como se não fosse pouco a retirada desses militares das suas funções, é vergonhosa a mistificação, a demagogia com que os principais responsáveis da Protecção Civil – agora já nem se pode dizer bombeiros – se referem às acções dos GIPS, como que se eles tenham feito algo que os bombeiros nunca tenham feito. É vergonhoso!
Devo dizer-lhe, que me custa suportar a revolta de ouvir toda a gente a queixar-se de falta de autoridade policial nas ruas e ver os militares da GNR a desempenhar outras tarefas que não aquelas onde são necessários e essas, sim, são das suas atribuições.
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Thursday, May 22, 2008

Incêndios florestais e GIPS

      Já no ano transacto aqui manifestei a minha revolta por, pelo menos em duas vezes que tive conhecimento, elementos do GIPS de GNR terem, em pleno combate a incêndios florestais, impedido os bombeiros de efectuar um contrafogo, num deles e identificando os bombeiros que o estavam a fazer, noutro caso. Manifestei revolta e afirmei mesmo que se eu estivesse a comandar algum desses incêndios, desobedeceria às suas ordens ou deixava-lhes o incêndio à sua responsabilidade. Dependeria sobretudo do risco para a floresta e seus limites. As minhas palavras poderiam e podem ser entendidas como um apelo à desobediência. Pois que sejam, que é exactamente isso que eu pretendi e pretendo. Assumo-o hoje como assumi outrora muitas outras posições contra aquilo que era ilegítimo, que configurava abuso de poder. Aquilo que os ditos elementos da GNR fizeram, só pode ser considerado uma de duas coisas: ou o referido abuso de poder, ou ignorância da lei, e consequente revelação de incompetência para exercerem as funções que lhes foram confiadas. Seja uma, seja outra, sejam as duas, têm que ser combatidas e se as entidades competentes não tomarem medidas para que tais anormalidades desapareçam, devem os bombeiros, se forem confrontados com situações dessas, tomarem medidas enérgicas, sem receio, porque estão a desempenhar uma missão importante e a coberto da lei.
O que vou dizer a seguir já o afirmei em vários fóruns em que estive presente e em que se falou de incêndios florestais. É o seguinte: Para além do eventual abuso de poder, do querer marcar posição numa tarefa para a qual não deveriam ter sido empurrados, parece-me que é nítido um desconhecimento da lei. Ora vejamos: O Decreto-Lei n.º124/2006, de 28 de Junho, na alínea d) do número 1, do artigo 3.º diz o seguinte: “Contrafogo” a técnica que consiste em queimar vegetação, contra o vento, num local para onde se dirige o incêndio, destinando-se a diminuir a sua intensidade, facilitando o seu domínio e extinção”. Exactamente assim. Mais: uma das técnicas de combate a incêndios que os bombeiros aprendem nas suas escolas, é exactamente a do “contrafogo”. Pode-se discutir se é sempre bem utilizado ou não, mas não é a GNR que tem competência para fazer essa análise. Só um superior hierárquico dos bombeiros em acção, repito, dos bombeiros, poderá impedir tal realização.
Debruçando-me sobre a legislação, quer-me parecer que, em alguns casos poderá ter havido, por parte dos elementos da GNR, uma confusão entre “contrafogo” e “fogo controlado”. Este e segundo ainda o mesmo diploma é “o uso do fogo na gestão de espaços florestais, sob condições, normas e procedimentos conducentes à satisfação de objectivos específicos e quantificáveis e que é executado sob a responsabilidade de técnico credenciado”. Como se pode verificar, o “contrafogo” é executado em situação de incêndio; o “fogo controlado” não tem nada a ver com incêndios, só se pode fazer “fora do período crítico e desde que o risco temporal de incêndio seja inferior ao nível elevado”. Posto isto, os elementos da GNR têm toda a legitimidade para actuar nos “fogos controlados”, verificando a sua legalidade, mas nos “contra-fogos” deixem os bombeiros em paz., até porque, com um pouquinho de azar podem colocar-se sob a alçada do n.º 6 do artigo 274.º do Código Penal que diz: “ Quem impedir o combate aos incêndios referidos nos números anteriores é punido com pena de prisão de um a oito anos. Para bem de todos e sobretudo da floresta pede-se que haja bom-senso. Há um ditado popular que diz: “Muito faz quem não estorva”.
Em Moscovo, os dois colossos do futebol inglês, Manchester United e Chelsea, cada um com atletas portugueses e o primeiro com um técnico também, disputaram a final da Liga dos Campeões Europeus. Isso diz bem da força, da capacidade do seu futebol, sendo que na meia-final estavam três equipas entre quatro. Com uma primeira parte em que Manchester poderia ter resolvido a questão, Chelsea empatou com alguma felicidade, felicidade que lhe faltou na segunda metade. Acabou por se ter de recorrer às grandes penalidades para encontrar o campeão. Ronaldo, que fizera o golo do seu clube num excelente gesto de cabeça a coroar uma não menos excelente jogada, quase ficava marcado pela eventual perda do título, ao não conseguir marcar a grande penalidade. Era demasiado injusto. Van der Saar compensou-o. Da euforia, rapidamente se passa ao desespero, para de imediato se voltar à euforia. É isso que provoca as paixões, as emoções fortes no futebol.
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