Monday, January 19, 2009

Pontos de Vista…33

     

Enquanto, por um lado, vão arrefecendo os corpos, por força das condições climatéricas que nos chegam a enregelar os ossos e o ânimo, por força da crise económica que nos vai afectando, mais a uns do que a outros, por outro, vai aquecendo o ambiente político, dado que estamos em ano de sermos chamados a três actos eleitorais. Digamos, de uma forma muito simplista, que estamos a entrar num ano em que os políticos, que nunca nos reconhecem, a nós, povo anónimo, vão olhar para a nossa cara, vão ser gentis, vão cumprimentar-nos afectuosamente como se fôssemos íntimos amigos, beijar as nossas mulheres e as nossas filhas, oferecer bonés, canetas, isqueiros, chapéus de chuva e o mais que a imaginação e o dinheiro proporcionarem, que para isso sempre há empresários beneméritos, ainda que tenham os seus trabalhadores com salários em atraso, enfim, prometer resolver todas as nossas dificuldades. Tudo isso por um voto, voto indispensável para a sua sobrevivência. Tudo isso com a maior desfaçatez. Para além dos diversos partidos que querem o maior número de votos, temos de suportar ainda a mendigagem individual de políticos que se perfilam para integrar as diversas listas, que querem apoio para alcançar os seus objectivos pessoais, isto é, serem eleitos, não para lutarem, para ajudarem a resolver os problemas colectivos, mas os seus próprios, para obterem, como diria Nietzsche, o maior afrodisíaco que é o poder.

Temos então aí, por um lado, os vários governantes, desde o poder central ao autárquico, a desdobrarem-se em inaugurações mais ou menos pomposas, algumas já pela segunda ou terceira vez, deliberações ou decisões que interessem aos eleitores, guardadas cirurgicamente para o momento mais adequado e devidamente propagandeadas, etc. As diversas oposições, fazendo aquilo que sempre fizeram: dizer mal de tudo quanto os detentores dos diversos poderes fizerem, mesmo em casos em que fazem aquilo que algumas oposições fizeram ou prometeram fazer quando ocuparam o poder, numa exibição descarada, desavergonhada de puro derrotismo, prometendo fazer pontes onde nem sequer há rios, sem estratégias, sem soluções. Assim se faz a política por este sítio, que é como quem diz, por este país, alicerçada na incompetência, no favorecimento, na falta de transparência, na corrupção, no caciquismo, na mentira.

Na linha do que tenho vindo a dizer, Manuela Ferreira Leite começou a soltar a língua, logo num comício que tinha como leme “vencer com verdade”. Deve ter-se inspirado
em Cavaco Silva com o seu “devo dizer a verdade”, como se não soubéssemos que todos nós devemos dizer a verdade, embora saibamos que, sobretudo entre os políticos, poucos o fazem. Entre verdades e inverdades, para não dizer mentiras, Ferreira Leite utilizou um termo que é já um lugar-comum, entre as diversas forças da oposição, que estão tão longe e às vezes tão perto umas das outras, - a comunhão de ideias é sempre fácil para derrubar - para caracterizar José Sócrates: arrogante. Eu não digo que o primeiro-ministro não ostente alguns tiques de arrogância, mas acho curioso que Manuela Ferreira Leite se deixe levar nessa onda, logo ela que integrou o governo que teve o primeiro-ministro mais arrogante da democracia portuguesa, exactamente o actual Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva. Entre outras expressões dele que poderia aqui referir, lembro apenas esta, que é bem significativa: “nunca erro e raramente me engano”.

Não ignorando, antes acreditando, que toda a política está assente numa gigantesca mentira, seja a política de quem está no poder, seja a de quem está fora dele, mas não olha a meios para o alcançar, há afirmações que deveriam ser mais cautelosas, deveriam merecer, por parte de quem as faz, mais pudor, mais cuidado, para não cair no ridículo e perder a credibilidade por completo. Falando de mentir, lembro-me do provérbio português “quem faz um cesto faz um cento”. A líder do PSD acusou, sem qualquer rebuço, Sócrates de ter enviado um jornalista da Lusa a Espanha para ouvir os socialistas sobre o TGV. Sabe-se que nem Sócrates enviou qualquer jornalista e que aquele que se deslocou a Espanha ouviu não só os socialistas, mas também os da família do PSD. Para além de perder uma grande oportunidade de estar calada, não será certamente com mentiras assim que vai conseguir cumprir o lema “vencer com verdade”. Que fique claro o meu ponto de vista, o que disse atrás não significa que considere que ela não possa vencer, até porque não estranharei minimamente que em política vença quem mais e melhor mentir e ainda porque em democracia, presumindo-se que vivemos numa – relativamente a algumas parcelas do território nacional tenho dúvidas – só se conhecem os vencedores depois dos votos escrutinados. Quer-me parecer que os portugueses, muitos portugueses, seguem à risca aquela expressão bem brasileira “me engana que eu gosto”.

Ferreira Leite, na sua entrevista a Judite de Sousa, disse mais algumas coisas curiosas, desde logo, por exemplo, sobre Santana Lopes e Passos Coelho. Não se saiu mal, só que, sabendo nós que as suas afirmações soam a falso, cheiram a podre, dá-nos vontade de sorrir…com algum sarcasmo, tenho de confessar. Espantosa também a desculpa para não aceitar a candidatura do ex- inspector da Polícia Judiciária, Gonçalo Amaral, afirmando mais ou menos o seguinte: não pretender que se dê o aspecto de haver promiscuidade entre política e polícia, justiça. Será que Manuela Ferreira Leite não vai querer Moita Flores, Fernando Negrão e sei lá quantos mais a integrar as diversas listas do PSD que vão a votos neste ano? Mas quem é que acredita nisso?

Se é triste muitos de nós verificarmos que temos um governo que não nos agrada, mais triste é a constatação de que não temos oposição que o possa substituir com benefício. Em tempo de “vacas gordas” até os ineptos são capazes de fazer algumas coisas boas. Em tempo de “vacas magras” todos se queixam, todos se acusam, poucos são os que têm capacidade de superar as crises, fruto da incapacidade referida e porque a luta partidária se torna mais feroz, porque são precisamente os períodos de crise os mais favoráveis para quem está fora do poder o alcançar. Como os políticos, ao invés de pensar no país, no concelho, nos cidadãos, ao invés de se darem as mãos, independentemente das suas diferenças ideológicas, pensam no poder e nos frutos que daí recolherão, o seu comportamento só agrava as crises. Disse Voltaire: “A paixão de mandar é a mais terrível de todas as doenças do espírito humano”.

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Monday, November 17, 2008

Pontos de Vista…24

     

Creio que ninguém de bom senso e espírito crítico isento acreditará que nesta balbúrdia em que está transformada a educação, haverá intervenientes sem qualquer espécie de culpa no cartório. Governo, sindicatos, professores, alunos, pais, políticos, todos têm a sua quota-parte de responsabilidade. Uns mais do que outros. É estranho que num processo relativo a educação, se verifique por parte de uma grande parte dos agentes nela envolvidos, tanta falta dela. Muito do que nos é dado ver e ouvir tresanda à mais requintada má educação. E nós questionamos como é possível imaginarmos um futuro risonho, com gente bem formada, respeitadora, educada, com tantos pais, professores e, obviamente os seus filhos e alunos, a terem os comportamentos a raiar a selvajaria, que nos têm sido dados a observar.

Entre outros actos repugnáveis, uns e outros mentem, umas vezes descaradamente, outras dissimuladamente, outras vezes usando meias verdades. Parece-me que muita dessa gente que debita “bacoradas” deve imaginar que todos os portugueses são parvos, de outra forma teriam mais cuidado com a sua linguagem, sobretudo quando tentam justificar o injustificável ou “sacudir a água do capote”.

Quando alguns professores e sindicatos chamam mentiroso ao primeiro-ministro por dizer que há três décadas os professores não são avaliados, eu que fui professor durante esse tempo, gostaria que me informassem por que espécie de avaliação credível terão passado os professores nesse período, porque eu, efectivamente, não me apercebi dela. Sendo assim, no meu ponto de vista, quem não está a falar verdade são esses professores e seus sindicatos.

Quando alguns professores e sindicatos afirmam que todos os professores querem ser avaliados, o que contestam é o modelo de avaliação, isso não corresponde à verdade. Se há muitos e bons que a desejam, até para que se distingam dos medíocres e péssimos, há muitos outros que não desejam nenhuma, que “fogem dela como o diabo da cruz”, porque o resultado de tal avaliação, a ser séria, só poderia ser uma demonstração de incompetência.

Alguns, de tanto mentir, correm o risco de “ninguém acreditar neles mesmo quando dizem a verdade”.

Por uma questão de justiça, porque a avaliação obrigatoriamente baixará os níveis de incompetência e subirá os da competência, é urgente que ela se leve a cabo. A que se julgar melhor, ainda que para isso se tenham de fazer experiências. Sem elas nunca saberemos qual a melhor. Para tanto, basta que todos os agentes nela envolvidos, estejam de boa-fé. O que não tem acontecido. Para além dos meros interesses de classe, estando-se alguns a “borrifar” para a escola e para os alunos, são bem evidentes os movimentos partidários, junto dos professores e sindicatos e agora até também junto de alunos, alguns ainda pré-adolescentes.

É uma vergonha o que alguns pais, professores e políticos fazem, por acção ou omissão junto de alunos, conduzindo-os ou, pelo menos, permitindo pacificamente, essas manifestações repugnantes que tivemos oportunidade de observar.

Repito o que disse no início: haverá alguém de espírito crítico isento que acredite que tais manifestações foram espontâneas?! Quem é que é “burro”, no meio disto? Eu não, de certeza. Certamente quem afirma a espontaneidade de tais manifestações. Imagine, meu amigo, uma manifestação espontânea de alunos já preparados com ovos e tomates – e dizem que a vida está cara -  e fazendo as ditas manifestações junto de escolas que não são as suas e, provavelmente até, com jovens que nem sequer estudantes são! É óbvio que gente deste jaez não nos pode merecer credibilidade. Aqueles pais que estão verdadeiramente interessados numa educação e formação autênticas dos seus filhos têm razão para estarem altamente preocupados. As políticas do governo para a educação não serão as mais adequadas e com algumas escolas e professores a funcionarem como funcionam, a situação é altamente preocupante. Infelizmente, a preocupação deve ser de todos os portugueses. Aqueles que pensam em cá andar daqui a vinte, trinta anos, deve-lhes ser difícil imaginar ter elementos suficientes com formação e educação adequadas para tomar as rédeas do país e suas principais instituições.

É bom que cada um seja sério, seja menos intransigente, pense mais no interesse colectivo do que no pessoal e pode ser que ainda vamos a tempo de remediar qualquer coisa.

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Manuel Alegre pratica religiosamente a política do contra. Deve ser um trauma que lhe vem do tempo da ditadura e que ele ainda não conseguiu ultrapassar. Eu que até admito que tenha um feitio algo semelhante, só o critico pelo facto de ele ser membro de um partido, ser desde a Revolução dos Cravos deputado por esse mesmo partido, o que deveria fazer com que as críticas que houvesse de fazer fossem menos públicas e mais no interior do grupo, lutando pelas suas ideias, mas respeitando as da maioria. Quem não quiser, quem não conseguir ter esta postura, só deveria ter um caminho: desligar-se do partido. Porque eu também sou demasiado cioso da minha liberdade de expressão, não me vejo ligado a qualquer partido. Certamente teria a postura de Manuel Alegre, que não acho correcta.

Finalmente, Manuel Alegre parece ponderar afastar-se do PS, o que eu entendo que já vem tarde, se vier. Mas como “vale mais tarde do que nunca…”. Fora dos partidos, Manuel Alegre, no meu ponto de vista, terá muito mais legitimidade para dizer tudo o que pensar.

Alegre está, normalmente, contra o poder, caindo na tentação de se pôr sempre ao lado daqueles que estão contra esse mesmo poder, mesmo sem curar de saber se têm ou não razão. É aquilo a que o povo costuma apelidar de “espírito de contradição”. Admito que, neste momento, em que a sua postura é mais evidente, tenha a ver com a possível vontade de uma nova candidatura a Belém.

 Admiro alguns, não digo todos, daqueles que se opuseram, das mais diversas formas, à ditadura. Digo alguns, apenas, e não todos, porque muitos fugiram à guerra nas ex-colónias, emigraram a salto, não por convicção, não porque a guerra os chocasse, mas por medo de morrer, por covardia mesmo. Quantos fugiram para o estrangeiro, sem que lhes deva a mínima coisa na luta pela mudança. Instalaram-se, viveram uns com dificuldades, outros “à grande e à francesa”, mandaram Portugal às “malvas”. E alguns que regressaram, fizeram-no com malévolo sentido de oportunidade e ainda pretenderam ser considerados heróis, julgando que lá por fugir ao regime, algumas vezes abandonando, completamente desprotegidos, os familiares mais próximos, lhes deveria ser concedido esse estatuto.

É o mesmo que acontece com muitos outros que foram perseguidos ou presos pela PIDE. Entendem que isso lhes basta para serem rotulados como campeões da democracia. Democracias que alguns deles nunca praticaram nem praticam.

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Divulgou a imprensa que alguns administradores da SAD do Futebol Clube do Porto receberão, cada um deles, 800 000 euros se o clube ficar em terceiro lugar, provavelmente, até ao terceiro lugar. Bom, para falar em termos que se perceba melhor, é 160 000 contos, que significam mais de treze mil por mês. E há adeptos que acham isso muito bem. Grande amor clubista, não há dúvida.

Posted by Salazar at 18:05:48 | Permalink | No Comments »